A música que vai muito além da mainstream

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Weird Owl – Ever The Silver Cord Be Loosed

Por: Vitor

@VIsForViking

“Or ever the silver cord be loosed, or the golden bowl be broken, or the pitcher be broken at the fountain, or the wheel broken at the cistern. Then shall the dust return to the earth as it was: and the spirit shall return unto God who gave it.”

Eclesiastes, 12:6-12:7

Dessa passagem bíblica foi tirada o título do debut LP dos nova-iorquinos Weird Owl. O “cordão de prata”, nos termos bíblicos e para quem pratica projeção astral, é o elo que liga o corpo à alma em todas as pessoas. Durante a projeção astral, dizem que é possível ver esse cordão e pode segui-lo, caso o projetor perca-se do seu corpo.

Lançado em 2009, Ever The Silver Cord Be Loosed é uma dessas experiências que, se feitas de modo certo (sem distrações e ouvida do começo ao fim sem interrupções – e de preferência no escuro e/ou de olhos fechados e/ou chapado) evocam uma bela viagem astral, apresentando traços de space, stoner e psychedelic rock com maestria. Guitarras cheias de fuzz, sintetizadores cósmicos, linhas de baixo  e percursão hipnóticas e um vocal de ótima qualidade.

Além desse feeling de viagem astral que destaca-se principalmente nas primeiras tracks do álbum, há também um clima árido no seu som, desert rock californiano de qualidade, apesar de estarem do outro lado dos States, trazendo à mente os canyons e mesas dos grandes desertos americanos. A obra, em sua maior parte é de passagem bem relaxada, chill-out, mas acaba numa grande peça desert-rock-psicodélica (?) em Flying Low Through The Air After Thunder.

Com influências de grandes figuras do psicodelismo como  The 13th Floor Elevators e Captain Beefheart & His Magical Band e sons garage rock como os de Crazy Horse (Associados a Neil Young), Weird Owl une-se a frente das grandes bandas de neo-psicodelia da atualidade junto à Black Mountain (a qual eu certamente trarei uma resenha aqui no LSD no futuro), Dead Meadow e The Black Angels (Outra que futuramente poderão ler sobre aqui no blog) em termos de qualidade. Have a good trip!

Weird Owl é:

John Cassidy: keyboard, synth
Kenneth Cook: bass, keyboard, synth, back-up vocals
Sean Reynolds: drums, percussion
Jon Rudd: guitar
Trevor Tyrrell: vocals, guitar

Cultura Tres – El Mal Del Bien

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Toda a opressão sofrida pela America Latina junto ao ódio pelas nações que se dizem superiores contida em um álbum dessa banda venezuelana chamada Cultura Tres. A banda de Sludge/Doom muito influenciada por Black Sabbath e Sepultura (é muito melhor) formada por Alejandro Londono (vocals/guitar), Juan Manuel de Ferrari (guitars/vocals), Alonso Milano (bass), David Abbink (drums) lançou recentemente o álbum El Mal Del Bien que traz 12 faixas (incluindo dois covers, um do Black Sabbath e outro da banda Epitafio) do mais cru, doentio e nervoso Sludge possível.

Lançaram um EP em 2007 chamado Seis que possibilitou um reconhecimento na América do Sul, mas somente em outubro de 2008 com o lançamento de seu debut  LP La Cura que a banda conseguiu uma notoriedade mundial. Com o sucesso que veio a partir daí e com grandes turnês que realizaram, o grupo amadureceu e obteve diversas influências pelo seu caminho ao longo do mundo todo, assim como também conseguiu uma notoriedade maior em meio as mídias, tanto impressa quanto digital. Em 2010 o quarteto voltou aos estúdios para começarem a preparar seu segundo LP, assunto da review de hoje.

El Mal Del Bien, lançado no começo desse ano, consegue trazer uma atmosfera muito mais sombria do que seu lançamento anterior, dessa vez a banda focou em produzir algo direto, que tivesse a cara do povo daqui. O disco incorpora elementos do Death Metal, Thrash, Dark Psych e até mesmo do Folk. Com um timbre característico, afinação jogada lá em baixo e com músicas bem down-tempo os caras criam uma atmosfera sul-americana que consegue reunir todos os povos em uma zona em comum para o melhor da sonoridade do Doom Metal. É muito perceptível, especialmente na música que abre o álbum “Propiedad de Dios”, o vocal com o estilo característico do ex-vocalista do Alice in Chains Layne Staley, talvez pelo timbre parecido, talvez pela peculiaridade arrastada, mas principalmente porque ambas as bandas conseguem transmitir o melhor da depressão sombria através de seus vocais marcantes juntos aos instrumentos afinados abaixo da afinação padrão. Enquanto os instrumentos, tocados com a devida perícia, criam a atmosfera Doom, acompanhados às vezes de batuques e sons tribais, o vocal de Alejandro se sobrepõe perfeitamente ao arranjo para criar uma combinação magistral que aparentemente gera a sonoridade mais obscura que a América do Sul já viu.

Assim como Ehecatl, projeto do Thomas Bellier, Cultura Tres não falha em transmitir todo o clima sombrio por trás do nosso continente culturalmente vasto. Uma banda com um futuro promissor dentro do cenário do Sludge/Doom que só tem a crescer daqui pra frente. Give it a listen!

(Propiedad de Dios)

*O álbum pode ser baixado pelo preço que você escolher (isso inclui de graça) no Bandcamp da banda que você pode acessar clicando aqui.

Caspian – Tertia

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

É sabido que todos os anos, devido a uma maior difusão do gênero e um número cada vez maior de bandas, os lançamentos de post-rock aumentam numa escala desmesurada, porém, a qualidade nem sempre segue a mesma regra. Felizmente Caspian é uma banda de respeito que vem trazendo bons trabalhos, que devem ser enxergados como não somente uma adição ao cenário do post-rock, mas sim como um acréscimo de qualidade na música contemporânea e, se depender da sonoridade e qualidade deles, junto com Long Distance Calling, If These Trees Could Talk, Russian Circles, God Is An Astronaut, etc o mundo vai sempre ter o melhor do gênero para desfrutar. Apesar dos caras não se declararem como uma banda de Post-Rock, eles sem dúvida atraíram e continuam atraindo muitos fãs do gênero.

O grupo oriundo de Beverly, Massachusetts, que é atualmente um sexteto conta com Philip Jamieson (guitar/keyboards), Calvin Joss (guitar), Chris Friedrich (bass), Joe Vickers (drums), Erin Burke-Moran (guitar), Jonny Ashburn (guitar) e já lançaram dois LP’s até agora. Formada em 2003, começou como qualquer outra banda, produzindo material, gravando demos e realizando um pequeno número de shows, sendo que em 2004 a banda ainda não havia escolhido o nome Caspian e procurava inclusive um vocalista, ideia descartada mais tarde. Logo passaram a abrir para bandas maiores e finalmente se arrojaram ao mundo, lançando além de EP’s seu primeiro álbum em 2007 intitulado The Four Trees, sendo seguido em 2009 pelo álbum tema da review de hoje, chamado de Tertia.

Às vezes é muito difícil para nós, pessoas que trabalhamos nossos olhares técnicos e críticos em cima de algum trabalho, analisarmos uma obra friamente, somente do ponto de vista técnico e conceitual. Caspian é uma dessas bandas que trazem algo a mais junto a sua música, não podemos simplesmente  analisar sua obra da maneira tradicional, devemos ouvir e ouvir de novo para captarmos tudo que o grupo tem a nos dizer através de seus arranjos, pois os caras conseguem atingir mais do que somente aos nossos ouvidos com suas melodias homéricas que transcendem as harmonizações populares, há um mundo em potencial a ser revelado quando ouvimos essa junção desatinada  de estruturas musicais suntuosas. Apesar do álbum não ser tão pesado, podemos dizer que sua sonoridade beira o post-metal, o grupo trabalha muito em cima do épico em suas composições, fazendo com que cada música pareça uma jornada que travamos contra algo ou alguém para sobreviver. Além das guitarras que providenciam o melhor da ambientalidade e das linhas de baixo que dão o peso por trás do som etéreo, a bateria funciona não somente como um acompanhamento para a sonoridade celestial, mas sim como complemento, pois cada batida e cada virada parecem preencher todos os vazios por trás do arranjo essencialmente melódico. O LP é intenso e abunda de ótimos clímaces por entre sua musicalidade envolvente, tornando a experiência de ouvi-lo algo sempar e provavelmente distinto da maioria dos parâmetros relacionados ao cenário. Outro ponto positivo é que o disco, que foi gravado em epenas duas semanas, é  notavelmente objetivo e traz em seus 58 minutos de duração 10 faixas que não superam os 9 minutos, divergindo daquelas músicas extremamente longas que em alguns casos não chegam a lugar algum no decorrer de seus desenvolvimentos.

Ao contrário daqueles que dizem que o post-rock está se exaurindo e que suas veias não pulsam mais como antes, eu digo ‘filtre’ melhor o que você está ouvindo, pois apesar do grande número de bandas que apenas se dizem adeptas ao gênero, há também as despretensiosas que certamente trazem em seus trabalhos músicas tão incríveis quanto os melhores do gênero e, que assim como Caspian, conseguem te conquistar. Give it a listen!

 (The Raven)

Earthless – Rhytms from a Cosmic Sky

Por: Igor

@igorbdm_

 

Os californianos do Earthless são um trio de psychedelic-rock, formado em 2001, porém, com seu debut álbum, “Sonic Prayer” lançado apenas em 2005. Sonic Prayer conseguiu conqusitar os ouvintes com apenas duas tracks de aproximadamente 20 minutos cada, que consistem no supra-sumo do rock psicodélico, que mais aparentam ser duas jam sessions entre os três membros da banda: Isaiah Mitchell na guitarra, Mike Eginto no baixo e Mario Rubalcaba na bateria. Em 2007, o trio mudou de gravadora e lançou seu álbum Rhytms from a Cosmic Sky, outro álbum “jam session” com mais duas tracks de aproximadamente 20 minutos cada (e uma track bônus de 4 minutos que foi lançada apenas na versão em CD do álbum), que foi absurdamente bem recebido pela crítica, e conseguiu uma pontuação de 4,5/5 do guia musical AMG. Recentemente a banda lançou um split com a banda witch e um live álbum.

Rhytms from a Cosmic Sky é um álbum carregado com o melhor dos ritmos psicodélicos sessentistas e setentistas, com composições frequentemente comparadas as de bandas de rock psicodélico daquela época, tais como Cream e até Jimi Hendrix, óbviamente, cada banda em seu tempo, até porque, hoje em dia, os recursos musicais que temos, tanto no quesito de produção, quanto de efeitos, são muito mais vastos e abrangentes. Mas isso de fato não tira o mérito desse trio, que com toda uma técnica musical, conseguem aproveitar aos extremos o uso de efeitos para modular seu som, criando de fato, rítmos cósmicos, fazendo o ouvinte transcender em uma viagem espiritual psicodélica. As linhas de baixo desse álbum são impecáveis: muito bem trabalhadas, com o melhor do groove psicodélico, e criando a sustentação necessária para os insanos solos de guitarra de Isaiah Mitchell, solos que “sofrem” de um imenso abuso de técnica e feeling. De fato, o supra-sumo do rock psicodélico atual. Mario Rubalcaba não fez feio, e não deixou com que os outros dois companheiros de banda se sobressaíssem: todo o peso das linhas de baixo e dos solos de guitarra são muito bem acompanhados pelas viradas insanas e contratempos na bateria, o que torna a banda IMPECÁVEL no quesito instrumental.

Earthless apenas buscou o melhor do rock psicodélico de 4 décadas atrás, o adaptou para as métricas do rock psicodélico atual e acabou inovando. Quebraram paradigmas musicais, deixaram os padrões e métricas de lado, e alcançaram um patamar acima de várias outras grandes bandas de rock no cenário mundial. Os caras do Earthless não são apenas mais uma banda psicodélica, eles inovaram o cenário psicodélico atual, e se tornaram uma referência a ser seguida por futuras bandas.

Godspeed

O trio em meio a uma jam session

Tame Impala – Innerspeaker

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Psicodelia da terra dos cangurus! Tame Impala é uma banda formada por Kevin Parker (vocals/guitars/bass/drums/keyboard), Jay Watson (drums/keyboard/guitars) e Dominic Simper (percussion/bass/guitar) e ainda conta em apresentações ao vivo com Nick Allbroock (bass). O grupo foi formado em 2007 e lançou dois EP’s , em 2008 e 2009, antes de lançarem seu debut LP intitulado Innerspeaker em 2010. A sonoridade da banda australiana está relacionada ao neo-psych, dream pop e ao rock alternativo em geral.

O grupo foi formado a partir de outra banda de Kevin Parker, chamada Dee Dee Dums, que já tinha um certo reconhecimento e já havia ganhado algumas boas posições em festivais. Algumas mudanças na formação e depois de trocarem o formato de dois guitarristas para o formato básico (bass,drums,guitar) o grupo mudou o nome para Tame Impala. O trio foi ganhando sucesso e logo em seguida começaram a aparecer as oportunidade de tocarem com grandes nomes do gênero, tais como The Black Keys, MGMT e You Am I, além de se apresentarem também em festivais mais renomados.

Existem muitas coisas a serem percebidas e destacadas nesse álbum em meio ao turbilhão de timbres e sons. A começar, o LP não deixa de ter a característica retrô, devido a sonoridade remeter muito ao que se ouvia na década de 60, fortemente influenciado por bandas como Cream e Jimi Hendrix Experience (ambas bandas de rock psicodélico dos anos 60),há também toda aquela vibe stoner misturada com British Pop e a exoticidade dos arranjos contemporâneos. O vocal de Kevin, comparado frequentemente ao Beatles John Lennon, se encaixa perfeitamente nas melodias criadas pelas linhas de baixo e pela guitarra com delay e phasers que juntos formam a excentricidade sonora audível na multi-dimensionalidade lisérgica arrastada pelos 53 minutos do álbum. O trio consegue capturar e transpor em suas músicas toda a complexidade da atmosfera psicodélica e a elevar a um patamar etéreo onde os solos de guitarra à la 60′s convergem primorosamente com os teclados para dar uma ambientalidade peculiar as tracks do disco.

As 11 músicas do disco envolvem um território complexo, que muito pode ser explorado quando o escutamos. Diversos sons proporcionam a característica que frequentemente denominamos como ‘trippy‘, devido a sua capacidade de nos fazer relaxar e viajar mentalmente para os lugares mais distantes imagináveis, tudo isso apenas através da música, uma droga que infelizmente nem todo mundo consegue sentir os efeitos. Tame Impala se mostra uma banda promissora e depois de um primeiro lançamento tão bem recebido como esse, só podemos esperar o melhor de seus próximos trabalhos. Give it a listen!

(Solitude Is  Bliss)

(Expectation)

Stoned Jesus – Stormy Monday EP

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Sabemos que a maioria de vocês está envolvida com o vestibular nesse domingo e por isso não terão tempo para acompanhar o blog. Para não deixar o dia passar em branco, trouxe um EP de uma banda promissora chamada Stoned Jesus (belo nome, não?). O grupo Ucraniano conta com Nikolay  (bass), Alex (drums) e Igor Krobak  (guitar/vocals) que trazem um som voltado pro Stoner-Doom/Sludge com fortes influências de Black Sabbath, Sleep e Eletric Wizard.

A banda começou como um projeto paralelo de Igor e depois de um tempo virou seu projeto principal. Lançaram algumas demos e esse ano lançaram um EP de apenas 25 minutos chamado Stormy Monday, que conta com quatro tracks, sendo que duas são a mesma música, porém uma é versão completa e a outra é editada. Vocais fortes e abrasivos de Igor junto aos riffs cativantes da banda fazem com que esse EP seja uma companhia simpática (mesmo que simpática seja um adjetivo estranho para descrever uma banda de Doom/Stoner) para os fãs do gênero . Destaque para a música Drunk & Horny que lembra Motörhead, uma das bandas precursoras do metal vomitado, e para  a música que dá título ao EP Stormy Monday, por possuir um conjunto de riffs e vocalizações agradáveis junto também a alguns belos solos de guitarra em seus 10 minutos de duração na versão estendida.

Depois de lançararem seu EP, a banda saiu em turnê e atualmente está gravando seu segundo lançamento, provavelmente um LP programado para início de 2012.

Stone Oak Cosmonaut – Out of Orbit

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Há tempos que queria escrever uma review sobre esse grupo e hoje finalmente consegui. Stone Oak Cosmonaut é uma banda holandesa independente da província de  Utrecht que produz um som relacionado ao Space-Rock e ao Stoner-Rock, mas que incorpora elementos de vários outros gêneros em suas músicas, tais como Metal, Psychedelic e Progressive. Muito influenciado pelos riffs clássicos do Stoner e pelo groove característico da banda britânica de Space-Rock Hawkwind, o trio formado por Fred Stacker (guitars), Von Trippenhof (bass/synth/vocals) e Peter Molendijk (drums) lançou dois álbuns até agora e o seu debut álbum de 2009 intitulado “Out of Orbit” será o assunto dessa review.

Out Of Orbit não tem esse nome à toa, o álbum é extremamente bem produzido, e produzido especialmente para quem quer dar uma viajada das  boas. A banda é relativamente nova e já produz um som impressionante, de respeito. Isso acaba sendo um destaque, pois os caras fazem música como se já estivessem por aí há pelo menos uns 20 anos produzindo sons de qualidade. Talvez isso possa ser explicado pois o nome “Von Trippenhof” pode ter soado familiar para algumas pessoas. O cara tocou por um período nos anos 90 na banda anglo-holandesa de rock experimental The Legendary Pink Dots, provável fonte de toda essa aparente experiência. Outro ponto forte da banda é a capacidade de aliar os sintetizadores aos sons às vezes pesado de seus jams, sem deixar o som saturado e sintético,  evitando assim aquela sonoridade enjoativoa e artificial muito comum em bandas sem personalidade e  qualidade. Os instrumentos são tocados com maestria, é possível sentir a química e o entrosamento entre o baixo e a bateria em faixas como Out of Orbit - Earthless que começa com arpejos na guitarra acompanhados de sintetizadores e da voz  calma de Trippenhof para introduzir uma dobradinha entre a bateria e o baixo que preparam os ouvintes para o clímax da música, uma entrada arrasadora da guitarra de Stacker, que segue até o fim da música com um timbre que remete ao gênio da guitarra  Jimi Hendrix tocando sua guitarra ensandecidamente. Outra faixa destaque do álbum é a música Out of Orbit – Star Voyage, um jam de 15 minutos que sucede Earthless e que juntas compoem o momento stand-out, ápice do álbum. Os vocais graves e profundos de Trippenhof completam o arranjo e dão um diferencial ao LP, transmitindo a escuridão do universo que pode ser sentida nas músicas e nas transmissões de rádio que frequentemente aparecem por entre as faixas.

Os quase 70 minutos de mind-blowing tracks do álbum dispostos em 9 faixas são o suficiente para qualquer um se apaixonar pelo gênero e pela banda que produz um som de altíssima qualidade conceitual e técnica, que ao final deixam aquele sentimento de ‘quero mais’, mesmo após mais de 1 hora de insaniedade musical. Give it a listen!

(Out of Orbit-Eathless)

(Out of Orbit-Star Voyage Pt. 1/2)

(Out of Orbit-Star Voyage Pt. 2/2)

God Is An Astronaut – All Is Violent, All Is Bright

Por: Igor

@igorbdm_

 

Quando em 1994, um jornalista resolveu criar o rótulo  “post-rock” para bandas que fugiam da métrica do rock em que se era acostumado naquela época, para algumas poucas bandas que faziam a junção de elementos do jazz, do rock progressivo com sintetizadores, ele provavelmente não imaginava que uma nova onda de bandas e músicos surgiria apartir de seu rótulo. Uma infinidade de bandas que usavam e abusavam de todos esses elementos, ainda adicionando pitadas de rock alternativo começaram a surgir, e o rótulo “post-rock” acabou de fato sendo adotado e “oficializado”. Dessas milhares de bandas, muitas ficaram apagadas com o tempo, outras já conseguiram trazer um diferencial ao seu som, e conseguirem ficar mais acesas no cenário musical underground. Uma dessas, seria o God is an Astronaut, formada na Irlanda em 2002, que logo após sua formação, criaram seu repertório e foram a um estúdio gravar seu debut álbum “The end of the Begining”, que conseguiu algum reconhecimento, e duas músicas da banda, com clipes produzidos por eles mesmos, foram parar na MTV UK. Em 2005, três anos após lançarem seu debut álbum, o God is an Astronaut lançou o All Is Violent, All Is Bright, álbum que foi muito bem recebido pelo público, e que passou a ser considerado um dos melhores da banda.

Um outro grande ponto forte da banda, é que seus shows costumam ter uma produção bem robusta, com telões gigantes reproduzindo vídeos feitos por eles mesmos, criando um verdadeiro show áudio-visual.

Ouça com caixas de som/fone de ouvido com todas as frequências: graves, médias e agudas bem definidas, de preferência, em total escuridão.

Tudo é violento, tudo é brilhante. Um nome forte para se dar a um álbum, e é exatamente o que o som que o GIAA consegue nos passar com esse álbum. Como a banda é instrumental (como a maioria das bandas do gênero) todo o sentimento que é transmitido por eles vem de seus arranjos musicais, arranjos que nos passam uma forte idéia de melancolia e uma visão de um mundo vazio, gelado e triste. O som atmosférico ambiente, gerado por sintetizadores dando uma sonoridade espacial e “flutuante” é responsável por boa parte do sentimento bucólico transmitido, aliado é claro, a clássica guitarra etérea das bandas de post rock. Linhas de baixo bem trabalhadas e consistentes, e é claro, a percurssão, que apesar de não ser de grande destaque neste álbum, é o que fecha a line-up essencial para a banda. God is an Astronaut não é uma banda que traz grandes inovações na questão musical, como por exemplo as bandas Long Distance Calling e If These Trees Could Talk. Mas o que causa o diferencial em relação ao grande mar de bandas de post-rock que temos por aí, creio eu que seja a melancolia e o sentimento transmitido pelas músicas. O nome do álbum, assim como o título de algumas músicas já preparam a mente do ouvinte para o que ele está prestes a ouvir. All is Violent, All is Bright é uma viagem de introspecção, que remete o ouvinte aos lugares mais profundos, obscuros e esquecidos de sua mente, retornando lembranças, buscando respostas, e levando o ouvinte para uma viagem de aproximadamente 50 minutos por dentro de sí próprio. É um álbum que foi feito não para ser ouvido, mas para ser sentido.

All is Violent, All is Bright

Fire Flies and Empty Skies

Asteroid – Asteroid II

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Pra quebrar um pouco a minha onda de post-rock nos posts que vinha trazendo pra vocês, eu trouxe hoje Asteroid.  A banda Oriunda de Örebro, Suíça, mostra que o país, junto a toda Europa, vem se mostrando potência do gênero. O grupo é uma mistura de Stoner, Blues, elementos psicodélicos e timbres do rock clássico. Formada originalmente por Elvis Campbell e Martin Ström, a banda conta atualmente com Robin Hirse nos vocais e guitarra, Johannes Nilsson nos vocais e no baixo e, por fim, Henrik Jansson na bateria. O trio lançou no começo do ano passado o álbum Asteroid II, que seguiu o lançamento do álbum auto-intitulado da banda  em 2007, que por sua vez seguiu o debut álbum da banda em 2006 Asteroid & Blowback.

Apesar da aparente diminuição de peso do grupo, o álbum continua na mesma linha, talvez até mesmo mais pesado. Isso porque, o peso não está diretamente relacionado a distorção e agressividade da bateria, mas sim a maneira com que as linhas de cada instrumento (baixo,guitarra,bateria) interagem umas com as outras para formar o arranjo. Esse álbum é trabalhado em cima do ‘crescendo‘, onde cada música serve de base para a outra, para que a música seguinte, por sua vez, apresente algo a mais, até a track ápice do álbum. Como eu já mencionei antes, o álbum é uma mistura de stoner,blues,psychedelic e elementos do classic rock, tudo isso, especialmente o blues e o classic rock, fazem com que o álbum tenha um feeling retrô, vintage. Não Obstante aos grandes períodos instrumentais da banda, o vocal é um destaque do disco. Hirse possui um timbre marcante, que junto aos riffs down-tempo da banda, dão o quê do grupo me lembrando inclusive, em pequenos trechos, eu disse pequenos trechos, Johny Cash. Aliás, em matéria de riffs, devido a maioria deles serem down-tempo, a banda lembra em alguns momentos os pais do gênero stoner,  Kyuss.

Em meio as faixas, há um espécie de trilogia entre as músicas, River, Lady e Towers não apresentam uma quebra que diferencie o começo e o fim de cada faixa. Com destaque para Lady que entre as 3, e provavelmente entre o álbum todo, é a música mais up-tempo do disco, sendo uma das minhas preferidas junto a música de abertura do álbum “Garden” que apresenta um dos melhores riffs que já ouvi na vida. Os pontos fortes desse lançamento são a criatividade do grupo que permitiram a criação de riffs muito marcantes, os vocais fortes de Hirse acompanhados em alguns momentos por uma faixa de áudio com um vocal tenor e outras vezes por um barítono que ajudam a compor a vibe do álbum e o feeling vintage das músicas.  Um LP muito sólido que traz uma musicalidade acima da média, vale muito a pena ouvir. Give it a listen!

(Garden)

(Karma)

The Sword – Gods of the Earth

Por: Igor

@igorbdm_

 

O meu post de hoje é de uma banda de stoner-metal vinda direto de Austin, Texas nos EUA. Formada em 2003, a banda decidiu que as letras de suas músicas se tratariam de épicos da mitologia nórdica, junto com uma sonoridade pesada e grave, o que trouxe a associação da banda com o stoner-metal. Em 2006 lançaram seu primeiro álbum, o Age of Winters, onde conseguiram algum reconhecimento, fazendo aparições nos jogos de videogame Guitar hero 2, e Tony Hawk’s Project 8. Em 2008, lançaram o Gods of the Earth, álbum em que falaremos hoje, e que ajudou a alavancar ainda mais a carreira da banda, recentemente abrindo shows para bandas grandes como o Metallica.

Como já disse anteriormente, o foco lírico da banda são temas da mitologia nórdica, inspirados por George Martin, Arthur Clarke e Lovecraft, o que acaba por nos remeter a atmosfera gelada da Noruega mitológica, onde grandes batalhas eram travadas entre guerreiros, arqueiros e criaturas místicas. O forte da banda não são só as letras narrando épicos nórdicos, mas também a sonoridade pesada e muito consistente, com riffs muito bem trabalhados, contando até com algumas partes acústicas durante o álbum, que só ajuda a reforçar a pegada mitológica do som. Solos muito bem coesos e bem executados,  e o vocal, ah, o vocal do The Sword! O timbre da voz de John D. Cronise definitivamente se encaixa perfeitamente com a temática do som dos caras. Frequentemente classificados como doom-metal, chegam a ser comparados até com as épocas mais antigas do Black Sabbath, o que  é mais um ponto positivo para conquistar o respeito da banda. Batalhas épicas, atmosfera nórdica gélida, riffs pesados e imersão total num mundo mitológico são o que você deve esperar desse álbum épico. Recomendo a todos os fãs do gênero ouvirem o Gods of the Earth, esperando por um som texano que não condiz nada com os estereótipos do seu estado de origem. Esse álbum é um MUST para fãs de stoner/doom rock/metal.

How Heavy this Axe

Under the Boughs

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