Black Mountain – Wilderness Heart
Por: Vitor
@Visforviking
Wilderness Heart é o terceiro álbum da banda canadense Black Mountain, lançado em 14 de setembro de 2010.

Apesar da banda ser rotulada como Indie Rock (“gênero” que, comparado a outros, é recém-chegado no cenário musical), Psychedelic Rock e afins, por vezes é comum perguntar-se se não estamos ouvindo a algum grupo de hard rock ou heavy metal dos anos 70 ou aos stoner rockers californianos dos 90′s. O que responde a pergunta é o trabalho vocal do frontman Stephen McBean e da vocalista Amber Webber e justamente a mistura de tantos estilos musicais em um só álbum.

(Da esquerda para a direita) Stephen McBean, Jeremy Schmidt, Amber Webber, Joshua Wells, e Matt Camirand
“Wilderness Heart”, considerado a obra mais “acessível” da Banda até agora – comparado até ao Houses of the Holy dos ingleses Led Zeppelin por sua natureza mais solta e relaxada do que os álbuns anteriores – começa com a energética e divertida “The Hair Song”, onde ouvimos um dueto de McBean com Webber acompanhados pela melodia de guitarra e o exelente trabalho do tecladista Jeremy Schmidt, que lembra o Zeppelin ou Deep Purple. Outros momentos marcantes do álbum são as músicas “Radiant Hearts”, balada cantada em uníssono por McBean e Webber, sempre acompanhada por um violão e novamente o teclado de Schmidt; “Roller Coaster”, na qual Amber rouba a cena de Stephen; “Let Spirits Ride”, ao começar, faz o ouvinte esperar por, talvez, a voz de Ronnie James Dio nos seus tempos de Black Sabbath, sendo a música mais rápida e mais “heavy metal” do álbum, lembrando “Neon Knights”; “The Way to Gone” tem uma pegada psicodélica ou southern rock, com trabalho instrumental mais leve na maior parte da música e uma guitarra bem “groovy”. Wilderness Heart pode não ser o álbum mais experimental, psicodélico ou pesado do Black Mountain, mas com certeza soa muito bem aos ouvidos, dêem uma ouvida e também ouçam o resto do material da banda!
Integrantes:
Stephen McBean – Vocal e guitarra
Jeremy Schmidt – Teclado
Amber Webber – Vocal
Joshua Wells – Bateria
Matt Camirand – Baixo
The Hair Song
Old Fangs
Trivia:
Black Mountain é a front-line band do coletivo de músicos, artistas e amigos de Vancouver conhecido como Black Mountain Army, que reúne, (não somente) outras bandas dos integrantes de Black Mountain, como Pink Mountaintops (que eu futuramente trarei uma resenha aqui), projeto mais experimental do frontman Stephen McBean (com participações de praticamente toda a Black Mountain), Lightning Dust, constituída por Amber e Joshua, e Blood Meridian, na qual Matt canta e compõe e Joshua toca bateria.
*Quem é mais próximo meu e do pessoal do blog talvez tenha um déjà vu lendo essa resenha, pois ela foi feita por mim para o finado Music For The Deaf, um blog que eu, Igor, Crystopher e mais dois amigos começamos, mas não deu certo. Pode parecer preguiça, sim, mas não podia deixar de compartilhar com vocês esse álbum, que é o meu favorito deles, e por que escrever novamente sobre algo que já defini bem nesse texto?
Weird Owl – Ever The Silver Cord Be Loosed
Por: Vitor
@VIsForViking
“Or ever the silver cord be loosed, or the golden bowl be broken, or the pitcher be broken at the fountain, or the wheel broken at the cistern. Then shall the dust return to the earth as it was: and the spirit shall return unto God who gave it.”
Eclesiastes, 12:6-12:7
Dessa passagem bíblica foi tirada o título do debut LP dos nova-iorquinos Weird Owl. O “cordão de prata”, nos termos bíblicos e para quem pratica projeção astral, é o elo que liga o corpo à alma em todas as pessoas. Durante a projeção astral, dizem que é possível ver esse cordão e pode segui-lo, caso o projetor perca-se do seu corpo.

Lançado em 2009, Ever The Silver Cord Be Loosed é uma dessas experiências que, se feitas de modo certo (sem distrações e ouvida do começo ao fim sem interrupções – e de preferência no escuro e/ou de olhos fechados e/ou chapado) evocam uma bela viagem astral, apresentando traços de space, stoner e psychedelic rock com maestria. Guitarras cheias de fuzz, sintetizadores cósmicos, linhas de baixo e percursão hipnóticas e um vocal de ótima qualidade.

Além desse feeling de viagem astral que destaca-se principalmente nas primeiras tracks do álbum, há também um clima árido no seu som, desert rock californiano de qualidade, apesar de estarem do outro lado dos States, trazendo à mente os canyons e mesas dos grandes desertos americanos. A obra, em sua maior parte é de passagem bem relaxada, chill-out, mas acaba numa grande peça desert-rock-psicodélica (?) em Flying Low Through The Air After Thunder.
Com influências de grandes figuras do psicodelismo como The 13th Floor Elevators e Captain Beefheart & His Magical Band e sons garage rock como os de Crazy Horse (Associados a Neil Young), Weird Owl une-se a frente das grandes bandas de neo-psicodelia da atualidade junto à Black Mountain (a qual eu certamente trarei uma resenha aqui no LSD no futuro), Dead Meadow e The Black Angels (Outra que futuramente poderão ler sobre aqui no blog) em termos de qualidade. Have a good trip!
Weird Owl é:
John Cassidy: keyboard, synth
Kenneth Cook: bass, keyboard, synth, back-up vocals
Sean Reynolds: drums, percussion
Jon Rudd: guitar
Trevor Tyrrell: vocals, guitar
Spiritualized – Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space
Por: Vitor
@VIsForViking
Após o fim dos Spacemen 3 em 1989-90, Jason Pierce (Mais conhecido pelo seu apelido J. Spaceman), uma das metades criativas da banda (A outra sendo Peter Kember, o Sonic Boom) chamou o resto do grupo para formarem o Spiritualized, e fazendo juz ao nome de seus predecessores e ao apelido de Pierce, criaram um space-rock de muita qualidade (trazendo junto a neo-psicodelia dos Sp 3 e também um pouco de dream pop).
A maior prova de que os caras (Mais especificamente Jason, o compositor de todo o material e único membro constante da banda) fizeram um ótimo trabalho está nesse álbum que vou lhes falar sobre hoje, o Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space, lançado em 1997. Só para começar, ele foi eleito o Album of the Year pela revista NME, vencendo o OK Computer do Radiohead e o Urban Hymns do The Verve, no auge do Britpop, além de duas vezes ficar na segunda posição de melhor do ano em outras publicações, entre outras, como para os hipsters de plantão nota 10 em resenhas pela Pitchfork Media e Drowned In Sound. Se você é daqueles que não liga muito pra opinião alheia e não ficou nem um pouco interessado com as notas e posições do álbum, vou deixar aqui a minha impressão desse belo trabalho.

A capa do álbum dá a impressão de que estamos prestes a tomar uma medicação
O álbum começa com a música homônima onde Jason divide vocais com si mesmo numa faixa bem leve que faz exatamente o que o título propõe: flutuar no espaço, com direito a “beeps” de transmições e efeito de rádio nos vocais. Terminando a primeira música, Come Together (que não é um cover dos Beatles) aparece, e é uma das minhas favoritas do álbum. É uma track com muita coisa acontecendo, com linhas de baixo notáveis, J. Spaceman cantando acompanhado do Coral Comunitário Gospel de Londres, saxofones, guitarras ardendo, um órgão elétrico muito bem colocado e também a percursão marcando o compasso da faixa. Apesar do ritmo animado, a letra é pessimista e mostra o estado de Jason na época, viciado em drogas e com problemas com sua então namorada – “Little J is sad and fucked / First he jumped and then he looked / The tracks of time those tracks of mine / Little J is occupied.”. As letras irônicas continuam por todo o álbum, como em “I Think I’m In Love” – “I think I’m in love (Probably just hungry)”. Talvez todos os problemas de Pierce na época contribuiram na composição do álbum que acabou sendo sua obra-prima.
Ladies and Gentlemen continua alternando entre músicas animadas e baladas até o final, com participação de Dr. John nos pianos e vocais no extenso jam que termina o álbum, Cop Shoot Cop. De outros convidados especiais temos os violinos, viola e violoncelo à cargo do Balanescu Quartet (mais proeminente em Broken Heart). Enfim, ao final da obra tem-se um sentimento de que Jason e cia. conseguiram deixar o ouvinte satisfeito; o álbum realmente merece o primeiro lugar que lhe foi dado pela NME, na minha humilde opinião. Um must para os amantes do space-rock.

(Desculpem pelos vídeos ao vivo e pelo vídeo não oficial, há apenas vídeos do VEVO no Youtube deles que não deixam publicar fora do site.)
LSD and the Search for God – LSD and the Search for God
Por: Vitor
@VIsForViking
O LSD, um dos mais potentes alucinógenos conhecidos, tem sido usado por um longo tempo como droga recreativa, inclusive por grandes nomes do cenário musical psicodélico como Jim Morrison, os músicos do Pink Floyd (Principalmente Syd Barrett), Jimi Hendrix, e também pelo autor de “Admirável Mundo Novo”, Aldous Huxley, mas também era defendido por alguns para o uso para fins espirituais, visto que “ele pode catalisar experiências espirituais intensas nas quais os usuários se sentem como se estivessem em contato com uma ordem cósmica ou espiritual maior.” (Wikipedia)

Juntando esses dois usos da dietilamida do ácido lisérgico temos o som e também o nome da banda e do extended play alvo da minha review de hoje (Desculpem a inatividade nesses últimos dias, ENEM, duas provas na faculdade, blablabla), que juntam a psicodelia das bandas de 1960, efeitos de reverberação que causam uma impressão de “camadas de som” – um caos sonoro onde fica difícil de identificar um instrumento do outro – com essa “procura por Deus”, o tom etéreo das músicas, com vocais abafados e meio indistinguíveis , lembrando os ingleses do My Bloody Valentine, os difusores do shoegazing.

Formada em San Francisco, Califórnia em 2006, composta pela vocalista Sophia Campbell, pelo também vocalista e guitarrista Andy Liszt, pelo guitarrista Chris Fifield, pelo baixista Caleb Rush e pelo baterista Kevin Crouse, conta apenas com um EP com cinco músicas atualmente, lançado em 2007, que tem sim suas semelhanças com My Bloody Valentine, mas não deixa de ser único, contando com o já dito “tom etéreo” que faz você viajar enquanto ouve essa pequena mas ótima experiência musical, já que o EP não chega a ter 22 minutos, o que ao meu ver é uma ótima duração para ouvir logo antes ou enquanto tenta dormir, já com as luzes apagadas. Ao final da obra, fica um gosto de “quero mais”, já que é tão curta, mas até agora nem sinal de um álbum em Long Play. Por enquanto, o que temos para aproveitar é isso mesmo, 21 minutos do melhor do shoegazing.
This Time
The Heads – Relaxing With…
Por: Vitor
@VIsForViking
Não se engane pelo título do debut da banda bristoliana The Heads, “Relaxing With…”, lançado em 1996. O álbum não tem nada de “chill-out”; por outro lado, você pode chegar do trabalho, da escola, faculdade no fim do dia, aumentar o volume da sua caixa de som e ter uma boa viagem ouvindo-o. Misturando stoner rock com muita psicodelia e uma atitude conhecida das bandas do mais puro rock ‘n’ roll, devo dizer que a banda conseguiu tomar minha atenção do começo ao fim desse álbum.

Pode-se ouvir também influências de space-rock dos também ingleses Spiritualized (ou ao contrário, já que “Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space”, o álbum que notei uma certa semelhança, com muito uso de gaita junto da distorção da guitarra, saiu um ano mais tarde, em 1997) e seus antecessores Spacemen 3 pelo decorrer do álbum.
O vocalista Simon Price é um show à parte, que no meio de tanta bagunça musical, canta num tom calmo e baixo, lembrando Lou Reed ou Iggy Pop em certos momentos.
O álbum pode parecer incialmente que vai ser uma “porrada sônica” non-stop, mas no meio de tanta psicodelia stoner, a banda também consegue colocar umas músicas mais calmas, mas que impressionam igualmente, com um gosto de garage rock dançante, como em “Television” (“Television, television, television it sucks my time / Carrie Fisher, Carrie Fisher, Carrie Fisher, she looks so fine.”) e até consegue misturar tudo isso em uma só música, como em “Widowmaker”. Há também uma única música em sua boa parte bem mais melancólica que o resto do álbum, ‘Taken Too Much’ (Apenas pela letra pode-se ter uma ideia: “crawling home… no dog or bone””) que também encaixa no ritmo da obra, já quase no final, terminando com um longo jam session em “Coogan’s Bluff”, costume que se repetiria muitas vezes nos próximos álbuns. “Relaxing With…” pode não ser o mais pesado e “trippy” trabalho dos The Heads, mas como debut album e como apresentação aos interessados em conhecer sobre a banda, cumpre muito bem seu trabalho. Recomendado para os fãs de neo-psychedelia, stoner rock e do bom rock ‘n’ roll.

- Paul Allen – Lead guitar, vocal
- H. O. Morgan – Bass
- Wayne Maskell – Drums
- Simon Price – Guitar, vocal
Don’t Know Yet
Television
Voice of the Seven Thunders
Por: Vitor
@VIsForViking
Após o debut solo Voice of the Seven Woods em 2007, o multi-instrumentalista Rick Tomlinson reuniu um grupo para seu novo projeto intitulado sabiamente de Voice of the Seven Thunders, lançado ano passado. Por que a mudança de nome? Enquanto Woods tem uma pegada muito mais calma e até relaxante, nesse último os músicos fazem um belo barulho para se ouvir, com experientalismo de sobra, usando ritmos místicos orientais, explosões na bateria e guitarras psicodélicas que poderiam ter vindo diretamente da década de 70.
Mudando bastante o estilo de um álbum para o outro, mas não necessariamente a marca registrada de Tomlinson, os fãs de Seven Woods podem inialmente não gostar da mudança nesse álbum. Mas isso é algo temporário, pois em Dry Leaves Rick faz uma bela peça acústica, e continua com esse estilo folk, mais leve, até terminar Cylinders, e então em Set Fire to the Forest, o ritmo literalmente pega fogo pela última vez, com guitarras tão agudas que, altas o bastante, poderiam prejudicar mesmo os ouvidos do ouvinte, mas que estranhamente soam tão bem. O álbum termina calmamente com a canção folk Disappearances. Se Woods ou Thunders é melhor, não dá para saber, pois os dois são muito diferentes entre si, só sabe-se que Tomlinson fez um belo trabalho em ambos, e espero ansiosamente pelo que virá dele futuramente. Se as vozes dos sete trovões fossem assim tão prazerosas de se ouvir, eu certamente esperaria uma tempestade ao final de cada dia.

Rick Tomlinson, guitarrista e vocalista
Rick Tomlinson – Vocal, guitarra
Chris Walmsley – Bateria
Rory Gibson – Baixo
Out of the Smoke
Kommune








