Kurt Vile – Smoke Ring For My Halo
Por: Igor
@igorbdm_
Kurt Vile é um guitarrista nascido em 1980 na Filadélfia, que iníciou sua carreira musical por volta de 2003, na banda The War on Drugs, onde naquela época, já demonstrava sua paixão pelo folk americano, especialmente por Bob Dylan. Apenas em 2008, a banda lançou seu debut álbum, e mais pro final do ano, Kurt decidiu sair da banda, e iniciar sua carreira solo. A banda tinha uma sonoridade peculiar, misturando o folk com elementos de shoegaze, o que acabou por influenciar Kurt em sua carreira solo. Em 2008, Vile começou sua carreira solo com o álbum Constant Hitmaker, em 2009 lançou mais um álbum: God Is Saying This To You, e logo após, fechou contrato com a “Matador Records”, e usando este selo, acabou por lançar seu terceiro álbum ainda em 2009, Childish Prodigy.
No ano de 2011, Vile lançou o que provou ser – até agora – o seu melhor álbum: Smoke Ring For My Halo, álbum que foi muito bem recebido pela crítica, e não só pelos críticos amadores como nós, mas grandes nomes já elogiaram este seu último álbum. Robin Pecknold, do Fleet Foxes elogiou muito o álbum, e Kim Gordon, a baixista (e as vezes guitarrista) do lendário Sonic Youth, diz se sentir culpada por ouvir frenéticamente o novo álbum de Kurt.

Smoke Ring For My Halo é uma viagem por dentro dos pensamentos de Kurt. As letras abordam temas sombrios como a tristeza, a insegurança, a incerteza e o saudosismo. As letras melancólicas e melódicas aliadas a sua voz e forma de cantar, renderam comparações com o poeta das esquinas de Nova York, Lou Reed. O álbum conta com uma sonoridade folk caracterista americana, com as devidas influências de Bob Dylan, e uma pitada de psicodelia, e apesar da grande melhora de qualidade das gravações desde o início de sua carreira, alguns ruídos foram mantidos no álbum, fazendo com que Vile não se livrasse do rótulo lo-fi.
Arranjos musicais simples porém bem trabalhados, mas que não deixam espaços vazios, sendo sempre preenchidos com guitarras reverberadas, tamborins, camadas de teclado usando diferentes timbres, e combinando muito bem o som do violão com o da guitarra elétrica, gerando uma atmosfera hipnótica e psicodélica, e é claro, uma identidade própria para o som de Vile. Para os amantes do bom e velho psychedelic-folk, Smoke Ring For My Halo é um prato cheio, recomendado por muitos músicos de nome no cenário indie, e por mim, que posso dizer que foi o melhor álbum do ano (pelo menos até agora).
Smoke Ring For My Halo
Society Is My Friend

Dorgas – Verdeja Music
Por: Igor
@igorbdm_
Fugindo de qualquer padrão da música brasileira, e adentrando em territórios musicais pouquíssimos explorados em nosso país, os cariocas da banda Dorgas conseguiram criar uma sonoridade muito fora do usual (pelo menos nas métricas musicais brasileiras), que remete muito ao shoegaze, estilo musical de bandas como My Bloody Valentine, Deerhunter e LSD and the Search for God.
A banda foi formada em 2009 por Cassius Augusto (voz, baixo, teclados), Gabriel Guerra (voz, guitarra, teclados), Eduardo Verdeja (guitarra) e Lucas Freire (bateria), que em 2010 lançaram seu primeiro EP: Verdeja Music, e pouco tempo depois, mais especificamente este ano (2011) , lançaram dois singles: Loxhanxha e Grangongon.

Como já foi Dito Antes, a banda conta com uma sonoridade muito peculiar, que ouvidos de meros mortais como nós classificariam-na como Shoegaze, porém, não acho certo prender o som dos caras a um simples rótulo. Digo isso pois seu primeiro EP, Verdeja Music, de fato cria uma ambientação típica de bandas shoegaze e post-rock, recheada de sons etéreos e ambientalizações, mas sem se prender aos padrões do estilo, eles acabaram por criar uma sonoridade própria e muito original, gerando uma atmosfera única em seu som.

Pouco tempo após o lançamento do EP Verdeja Music, eles lançaram um Single: Loxhanxha. Este já nos aprensentou uma evolução no som dos caras, aliando elementos de jazz e da música brasileira com a proposta sonora anteriormente comentada, criando um som ainda mais único, e tirando qualquer dúvida de que poderia ter vindo a surgir quanto a habilidade dos membros da banda, que provaram saber dominar com maestria os seus respectivos instrumentos.
Dorgas é uma banda nacional com um futuro muito promissor, que merece destaque e um lugar especial na playlist dos amantes do shoegaze e da música experimental. E enquanto a banda se prepara para lançar seu Debut Álbum em 2012, temos seus Singles e EP’s para ouvir. Apreciem sem moderação!
Use esses links para acessar o bandcamp da banda Dorgas, onde vocês podem ouvir suas músicas, comprar o álbum pelo preço que vocês acharem digno pagar (inclusive de graça), obter mais informações e contato com a banda.

Earthless – Rhytms from a Cosmic Sky
Por: Igor
@igorbdm_
Os californianos do Earthless são um trio de psychedelic-rock, formado em 2001, porém, com seu debut álbum, “Sonic Prayer” lançado apenas em 2005. Sonic Prayer conseguiu conqusitar os ouvintes com apenas duas tracks de aproximadamente 20 minutos cada, que consistem no supra-sumo do rock psicodélico, que mais aparentam ser duas jam sessions entre os três membros da banda: Isaiah Mitchell na guitarra, Mike Eginto no baixo e Mario Rubalcaba na bateria. Em 2007, o trio mudou de gravadora e lançou seu álbum Rhytms from a Cosmic Sky, outro álbum “jam session” com mais duas tracks de aproximadamente 20 minutos cada (e uma track bônus de 4 minutos que foi lançada apenas na versão em CD do álbum), que foi absurdamente bem recebido pela crítica, e conseguiu uma pontuação de 4,5/5 do guia musical AMG. Recentemente a banda lançou um split com a banda witch e um live álbum.

Rhytms from a Cosmic Sky é um álbum carregado com o melhor dos ritmos psicodélicos sessentistas e setentistas, com composições frequentemente comparadas as de bandas de rock psicodélico daquela época, tais como Cream e até Jimi Hendrix, óbviamente, cada banda em seu tempo, até porque, hoje em dia, os recursos musicais que temos, tanto no quesito de produção, quanto de efeitos, são muito mais vastos e abrangentes. Mas isso de fato não tira o mérito desse trio, que com toda uma técnica musical, conseguem aproveitar aos extremos o uso de efeitos para modular seu som, criando de fato, rítmos cósmicos, fazendo o ouvinte transcender em uma viagem espiritual psicodélica. As linhas de baixo desse álbum são impecáveis: muito bem trabalhadas, com o melhor do groove psicodélico, e criando a sustentação necessária para os insanos solos de guitarra de Isaiah Mitchell, solos que “sofrem” de um imenso abuso de técnica e feeling. De fato, o supra-sumo do rock psicodélico atual. Mario Rubalcaba não fez feio, e não deixou com que os outros dois companheiros de banda se sobressaíssem: todo o peso das linhas de baixo e dos solos de guitarra são muito bem acompanhados pelas viradas insanas e contratempos na bateria, o que torna a banda IMPECÁVEL no quesito instrumental.
Earthless apenas buscou o melhor do rock psicodélico de 4 décadas atrás, o adaptou para as métricas do rock psicodélico atual e acabou inovando. Quebraram paradigmas musicais, deixaram os padrões e métricas de lado, e alcançaram um patamar acima de várias outras grandes bandas de rock no cenário mundial. Os caras do Earthless não são apenas mais uma banda psicodélica, eles inovaram o cenário psicodélico atual, e se tornaram uma referência a ser seguida por futuras bandas.
Godspeed

O trio em meio a uma jam session
God Is An Astronaut – All Is Violent, All Is Bright
Por: Igor
@igorbdm_
Quando em 1994, um jornalista resolveu criar o rótulo “post-rock” para bandas que fugiam da métrica do rock em que se era acostumado naquela época, para algumas poucas bandas que faziam a junção de elementos do jazz, do rock progressivo com sintetizadores, ele provavelmente não imaginava que uma nova onda de bandas e músicos surgiria apartir de seu rótulo. Uma infinidade de bandas que usavam e abusavam de todos esses elementos, ainda adicionando pitadas de rock alternativo começaram a surgir, e o rótulo “post-rock” acabou de fato sendo adotado e “oficializado”. Dessas milhares de bandas, muitas ficaram apagadas com o tempo, outras já conseguiram trazer um diferencial ao seu som, e conseguirem ficar mais acesas no cenário musical underground. Uma dessas, seria o God is an Astronaut, formada na Irlanda em 2002, que logo após sua formação, criaram seu repertório e foram a um estúdio gravar seu debut álbum “The end of the Begining”, que conseguiu algum reconhecimento, e duas músicas da banda, com clipes produzidos por eles mesmos, foram parar na MTV UK. Em 2005, três anos após lançarem seu debut álbum, o God is an Astronaut lançou o All Is Violent, All Is Bright, álbum que foi muito bem recebido pelo público, e que passou a ser considerado um dos melhores da banda.
Um outro grande ponto forte da banda, é que seus shows costumam ter uma produção bem robusta, com telões gigantes reproduzindo vídeos feitos por eles mesmos, criando um verdadeiro show áudio-visual.

Ouça com caixas de som/fone de ouvido com todas as frequências: graves, médias e agudas bem definidas, de preferência, em total escuridão.
Tudo é violento, tudo é brilhante. Um nome forte para se dar a um álbum, e é exatamente o que o som que o GIAA consegue nos passar com esse álbum. Como a banda é instrumental (como a maioria das bandas do gênero) todo o sentimento que é transmitido por eles vem de seus arranjos musicais, arranjos que nos passam uma forte idéia de melancolia e uma visão de um mundo vazio, gelado e triste. O som atmosférico ambiente, gerado por sintetizadores dando uma sonoridade espacial e “flutuante” é responsável por boa parte do sentimento bucólico transmitido, aliado é claro, a clássica guitarra etérea das bandas de post rock. Linhas de baixo bem trabalhadas e consistentes, e é claro, a percurssão, que apesar de não ser de grande destaque neste álbum, é o que fecha a line-up essencial para a banda. God is an Astronaut não é uma banda que traz grandes inovações na questão musical, como por exemplo as bandas Long Distance Calling e If These Trees Could Talk. Mas o que causa o diferencial em relação ao grande mar de bandas de post-rock que temos por aí, creio eu que seja a melancolia e o sentimento transmitido pelas músicas. O nome do álbum, assim como o título de algumas músicas já preparam a mente do ouvinte para o que ele está prestes a ouvir. All is Violent, All is Bright é uma viagem de introspecção, que remete o ouvinte aos lugares mais profundos, obscuros e esquecidos de sua mente, retornando lembranças, buscando respostas, e levando o ouvinte para uma viagem de aproximadamente 50 minutos por dentro de sí próprio. É um álbum que foi feito não para ser ouvido, mas para ser sentido.
All is Violent, All is Bright
Fire Flies and Empty Skies

Kyuss Lives! @Carioca Club, São Paulo
Por: Igor
@igorbdm_
Então galera, vou fazer um post aqui no blog para justificar a minha ausência e a do Vitor nos últimos dias, e acho que é uma justificativa altamente plausível, já que fomos para o show dos californianos, “pais” do Stoner Rock, Kyuss, em São Paulo.
Não acho que seja necessário introduzir a banda, afinal, é muito provável que todos os que frequêntam o blog conheçam o som dos caras.
Enfim, após 16 anos que a banda se separou, John Garcia, Brant Bjork e Nick Oliveri resolveram se juntar para fazer uma turnê de shows tocando seus maiores sucessos da época de ouro do Kyuss. Josh Homme óbviamente foi convidado para voltar a se reunir com a banda em que ajudou a fundar, mas recusou o convite e foi substituído por Bruno Fevery.
Setlist:
Com uma setlist robusta, eles tocaram praticamente o Welcome to Sky Valley inteiro, o seu álbum mais aclamado, abrindo o show com Gardenia e arrancando berros da platéia.Óbviamente, tocaram só a nata do Blues for the Red Sun, algumas poucas do …And Circus Leaves Town, incluindo seu single One Inch Man, e deixando o Wretch completamente no esquecimento. Minha opinião sobre o setlist é que não poderia ter sido melhor! As músicas parece que foram escolhidas a dedo para o show, e foram encaixadas em uma ordem que fez com que o público não parasse de cantar em nenhum momento, e por falar em público…
Público:
Tá aí uma das minhas maiores surpresas sobre o show: o público fiel. Por Kyuss não ser uma banda muito conhecida, e pelo fato de São Paulo ser uma cidade grande, cheia de metalheads, e pelo preço dos ingressos estarem, na medida do possível, acessíveis, imaginei que a maioria do público que estivesse lá iria apenas para ver mais um show de uma banda de som pesado. Ledo engano. A primeira surpresa foi logo que cheguei ao Carioca Club: muita gente vestindo camisetas do Kyuss, outros com camiseta do Queens of the Stone Age, aí eu comecei a perceber que o pessoal lá realmente era fã da banda, e lá dentro, quando a banda abriu com Gardenia, foi o momento que eu tive certeza que a galera era de fato, fã da banda. O clube tremeu com a galera cantando “Hear a purrin’ motor/And she ‘s a burning fuel/Push it over Baby/ We’re Making loooooove unto you”. Sensacional!
Banda:
Bom, vamos ao que realmente interessa. O que eu achei do show?
Simplesmente SENSACIONAL. Podemos dizer que a idade afetou os membros em sua aparência, o que é natural em qualquer ser humano, obviamente, mas posso afirmar com toda a certeza de que a performance de palco continua a mesma de 16 anos atrás: PERFEITA! O vocal de John Garcia continua o mesmo, atingindo tons graves a agudos com sua facilidade e maestria, cantando e fazendo o público delirar. Nick Oliveri foi uma surpresa a parte, dava pra sentir a sua vontade de tocar, onde viamos claramente ele cantando -longe do microfone- todas as músicas da banda, enquanto mandava o melhor do groove do baixo do Kyuss. Os que esperavam ver Scott Reeder em seu lugar com certeza não ficaram decepcionados, a performace de Nick foi surpreendente. Com muita, muita, mas MUITA energia e vontade de tocar, Brant Bjork mostrou que os anos não afetaram a performance dele na bateria, e que seus álbuns solo só o fizeram amadurecer musicalmente. A performance de Brant dispensa comentários, até brincou com os fãs na finalização de Supa Scoopa and Mighty Scoop (aquele fim “interminável”). E quanto ao substituto de Josh Homme? Bruno Fevery assumiu com maestria a guitarra do Kyuss. O cara de fato não deixou nada a desejar. Guitarra muito grave e suja, executando todos os acordes das músicas com perfeição. Os solos? Idem! solos muito bem executados, com o groove clássico do Kyuss. Óbviamente, Josh Homme nuncaserá substituido, pois seu timbre e pegada na guitarra são insubstituíveis, porém, Bruno Fevery conseguiu cumprir bem seu papel, e provou ser um ótimo substituto para Josh.
Gardenia
(Completa)
Allen’s Wrench + Green Machine
(Completas)
El Rodeo + 100º
(Completas)
*Todos os vídeos desse post foram filmados pelo Vitor
**Fotos são de minha autoria
Kyuss, de fato ainda vive (Kyuss Lives!). A expectativa para o show era imensa, e a banda conseguiu não só sacia-la, mas supera-la. De Gardenia até Green Machine, a banda provou que continua sendo digna de usar o nome Kyuss, e continuar arrancando a voz de seus fãs espalhados por todo o mundo. Desejo a todos que leem este post, que a banda volte ao Brasil, para os que não assistiram tenham a oportunidade de assistir, e aos que já assistiram (eu) possam assistir de novo.
Vou encerrar o post deixando com vocês, a incrível setlist do show.
- Gardenia
- Hurricane
- One Inch Man
- Thumb
- Freedom Run
- Asteroid
- Supa Scoopa and Mighty Scoop
- Conan Troutman
- Odyssey
- Whitewater
- El Rodeo
- 100°
Encore:
- Fatso Forgotso
- Allen’s Wrench
- Green Machine
*Em breve atualizarei o post com mais fotos (tiradas por mim) e vídeos (filmados pelo Vitor), pois não estou em casa, e o Vitor ainda não fez upload dos vídeos.
** Em breve o Vitor provavelmente também postara uma review feita por ele sobre o Show
*** Em breve uma Review sobre o dia 14 do SWU
Syd Barrett – The Madcap Laughs
Por: Igor
@igorbdm_
Vou poupar o tempo de vocês pedindo desculpas novamente pela minha ausência aqui no blog dando desculpas das mais diversas naturezas, e vou direto ao ponto.
Vou falar hoje do The Madcap Laughs, álbum solo de Syd Barrett, fundador, guitarrista e principal compositor do Pink Floyd nos seus primeiros anos. (Para saber mais sobre a trajetória que trouxe Syd até esse álbum, dê uma lida na review do álbum Ummagumma.)

Barrett foi afastado do Pink Floyd por ter sido tomado pela loucura, devido aos abusos do uso de drogas lisérgicas, e então após algum tempo parado, começou a gravar algumas sessões acústicas, com a ajuda de alguns músicos conhecidos, e contando com o próprio David Gilmour na produção, e em janeiro de 1970, o The Madcap Laughs foi lançado.
O melhor rótulo para definir o som desse álbum, seria um psychedelic-folk, com toda a excentricidade de Barrett em suas letras e arranjos musicais, e um violão, digamos, hmm, mal tocado. Syd já estava com sua mente bem debilitada, o que pode ser claramente percebido em algumas canções, especialmente em Dark Globe, onde notamos claramente a falta de ritmo de Barrett no violão, e o seu vocal altamente desafinado, isso sem contar a letra sem nexo algum: “please, please, please lift the hand / I’m only a person with Eskimo chain /I tattooed my brain all the way…“. Mas porque então estou trazendo esse álbum para vocês? Pois ao meu ver, Barrett foi um gênio incompreendido, e sua carreira solo, apesar de curta, trouxe algumas músicas muito agradáveis de serem ouvidas, outras bem humoradas, e bem, acho que suas músicas servem de algum modo para fazer com que as pessoas entendam o que se passava dentro da mente insana de Barrett. Particularmente, a história de Syd sempre me intrigou muito, e sempre tentei entender tudo o que aconteceu nesse meio tempo, entre o início do Pink Floyd, e o fim de sua carreira músical. Acho que esse álbum deve ser levado em consideração, e que todos vocês deveriam dar uma chance a loucura de Barrett e ouvir sua obra solo. Have you got it yet?
Octopus
Dark Globe

El Ten Eleven – El Ten Eleven
Por: Igor
@igorbdm_
A review de hoje é sobre uma banda de Post-Rock de Los Angeles chamada El Ten Eleven. A banda é um duo, formado em 2003 pelo baixista Kristian Dunn e pelo baterista Tim Fogarty, e que em 2004, lançaram seu debut álbum self titled, que foi muito bem recebido pela crítica, onde chegou a ser até comparado com a famosa banda de post-rock Sigur Rós (porém, ao meu ver, uma banda não tem nada a ver com a outra). Mas como assim, um duo de post-rock? Exatamente! Esse é justamente o diferencial dessa banda, e um dos motivos por eu ter trazido a banda para cá, porém, ao contrário do que vocês devem estar pensando, apesar da banda ser um duo, contamos com linhas de baixo, guitarra, bateria, e até teclado. MAS O QUE?
O que traz um diferencial ao som da banda, é que além da sonoridade shoegaze/post-rock, o duo se responsabiliza por 4 instrumentos, 2 cada um. Tim Fogarty se responsabiliza pela bateria e por um pequeno teclado ao mesmo tempo, já Kristian Dunn, pelo baixo e pela guitarra. E como ele faz isso? Bom, Kristian usa um instrumento double neck (semelhante a guitarra double neck que Jimmy Page usa, porém, ao invés de nos dois braços serem guitarras, um braço corresponde a uma guitarra, e outro a um contrabaixo), junto com um pedal Loop Station, onde ele pode gravar alguns compassos tocados no baixo, gravar uma base de guitarra por cima, gravar uma parte solo de guitarra por cima, tirar a base, tirar o baixo, tirar o solo, enfim, pode fazer com que os dois instrumentos toquem ao mesmo tempo, algo que requer muita habilidade e precisão. Soou meio confuso? Assista o vídeo da música My Only Swerving que postarei logo abaixo e você entenderá como funciona. O álbum é curto, apenas 35 minutos, porém, é uma obra e tanto, de dois músicos muito talentosos, que uniram a técnologia dos pedais Loop, com uma boa técnica musical, e casaram isso tudo ao estilo post-rock, onde acabaram criando um som muito agradável de se ouvir. Músicas alegres que remetem a sensação de bons sentimentos, e trazem uma sonoridade até meio nostálgica, enfim, um som feito para ouvir e relaxar. Recomendo facilmente este álbum para qualquer um dos ouvintes do blog. Vale a pena ouvir!
My Only Swerving

The Alps – Le Voyage
Por: Igor
@igorbdm_
Primeiramente gostaria de me desculpar pela minha ausência no blog, mas outras tarefas tem ocupado meu tempo de uma forma que nem eu imaginaria que ocupariam. Mas cá estou de volta, com meus cilindros de vontade devidamente recarregados, (e os de criatividade talvez nem tanto) para trazer uma nova review para vocês.
E a review de hoje será sobre o álbum Le Voyage, da banda norte americana* The Alps, vinda direto de São Francisco.
*Existe uma banda inglesa chamada The Alps, mas a que me refiro neste review, é a The Alps (US)

Bom, não conheço nada sobre a história da banda, e mesmo em meio a profundas pesquisas na internet (oh!), não encontrei nenhuma informação que fosse muito relevante colocar aqui. O álbum foi lançado em 2010, e a melhor classificação que eu consigo achar para ele é um neo-psych-folk. O álbum inicia com um leve dedilhado de violão, e uma slide guitar com som bem “flutuante”. Após o fim da primeira faixa, o álbum começa a tomar forma, e tem em sua segunda faixa “Marzipan”, uma transição com sons de talheres, água corrente, pessoas falando, enfim, o álbum começa a tomar uma forma mais psicodélica, e cada vez mais, o álbum vai se desenrolando, e todas as transições psicodélicas que soam estranhas, acabam por levar o ouvinte até “Saturno Contro” uma faixa com alguns acordes de guitarra com delay e uma slide guitar ao fundo, que prepara o ouvinte para o clímax do álbum: suas três últimas faixas. Black Mountain, Le Voyage e Telepathe compõem mais da metade do tempo de todo o álbum, e ao meu ver, é o auge do que a banda tem para nos mostrar. Com instrumentos orientais, instrumentos de corda e piano em ritmos hipnóticos, o álbum realmente te leva para uma viagem em meio a um deserto nessas últimas três faixas. A sonoridade psych-folk é claramente notada, em suas frases musicais repetitivas, com linhas de baixo e acompanhamento de bateria que apesar de simples e repetitivos, são o toque final para criar um som psicodélico e hipnótico de muita qualidade. Um álbum totalmente instrumental, e que pode ser ouvido por pessoas dos mais diferenciados gostos musicais, em qualquer situação do dia-a-dia, desde um pós dia de trabalho cansativo, para relaxar, até em um momento que você queira deixar sua mente simplesmente flutuar, e se deixar levar pela psicodelia hipnótica da música.
Vale a pena ouvir este álbum!
Saturno Contro
Telepathe
Macaco Bong – Verdão e Verdinho
Por: Igor
@igorbdm_
Devido a minha falta de tempo por causa do trabalho (sim, eu trabalho!), minha placa de som com problemas, e alguns projetos pessoais meus, não tive tempo hoje de escrever uma review bem trabalhada de um grande álbum. Então, para não deixar vocês na mão, vou fazer uma review rápida do curto EP recém lançado da banda Brasileira já postada anteriormente aqui no blog por mim, Macaco Bong.

Para uma introdução mais profunda a banda, sugiro que vocês deem uma lida na minha review do álbum Artista Igual Pedreiro do Macaco Bong.
Depois de 3 anos do lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, o trio da Macaco Bong voltou aos estúdios para gravarem seu segundo EP, intitulado de Verdão e Verdinho. A banda manteve o seu estilo: um som instrumental, experimental, com suas fortes influências no post-rock, porém, o que este EP conseguiu transmitir para mim, foi uma pequena mudança na atmosfera do som deles.
Enquanto o álbum Artista Igual Pedreiro tem uma sonoridade mais árida, que remete você ao clima da cidade/estado de origem da banda (Cuiaba-MT), o seu novo EP nos apresenta uma sonoridade com uma atmosfera menos árida, e digamos, mais ‘úmida’. Como se tivessem experimentando novos tipos de ‘climas’ brasileiros em seu som. Mas isso, sem perder a classe e, como no álbum anterior, a banda continua abusando de técnica, e dessa vez, algo inédito no som da banda, uma slide guitar.
Apesar de ter apenas 3 faixas, e aproximadamente 17 minutos de música, Verdão e Verdinho é um EP que tenho certeza que vai agradar o ouvido de muitos, tanto dos que já conhecem a banda, quanto dos que ainda não conhecem. Vale a pena baixar!
Obs: desculpem pela review curta, de um EP curto, e ainda por cima, feita meio “nas coxa”, mas a falta de tempo hoje foi maior.
Morango Tango

A Place To Bury Strangers – Exploding Head
Por: Igor
@igorbdm_
A Place To Bury Strangers (conhecidos pela sigla APTBS) são um trio Nova-Iorquino de noise-rock/shoegaze formado em 2003. Em 2006 lançaram 3 EP’s, e em 2007 lançaram seu primeiro álbum, um s/t. Após lançarem seu s/t, ganharam algum reconhecimento e começaram a tocar ao lado de bandas como o Nine Inch Nails e o Black Rebel Motorcycle Club. Em 2009 lançaram o álbum que falaremos hoje: o Exploding Head.

Exploding Head é um álbum que sua base é construída com uma sonoridade bem parecida com as de bandas post-punk dos anos 80, digamos que a primeira vista, seria uma banda de post-punk revival. Porém, como nosso blog não é um blog de bandas post-punk, eu não teria trazido o APTBS para cá se eles não tivessem um diferencial no som. E o diferencial é o noise que adicionaram ao seu som. Guitarra com muita distorção e Fuzz, delay, flangers, enfim, efeitos que combinados, deixam o som muito sujo e, como o próprio estilo já diz ‘noise-rock’ um som com muito peso e barulho . Isso sem contar toda a atmosfera sombria do álbum, um ar gélido, com letras agressivas sobre corações partidos, vingança, tristeza e raiva, e o álbum consegue transmitir todo esse sentimento ao ouvinte, criando um grande envolvimento, e garantindo uma experiência única ao ouvir o álbum.
In Your Heart
Keep Slipping Away

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Tenham uma boa viagem!
George Dorn Screams – O’Malley’s Bar
Por: Igor
@igorbdm_
George Dorn Screams é uma banda polonesa de, bom, difícil classificar essa banda com um estilo único, mas diria que o som deles tem fortes influências de post-rock, shoegaze, indie rock, e slowcore. Liderados pela vocalista Magda Powalizs, surgiram entre 2005 e 2006, e após apenas 6 meses trabalhando em cima de suas primeiras canções, decidiram por grava-las em estúdio, em seu primeiro álbum, que foi muito bem recebido pela crítica, e que acabou por abrir as portas para a banda começar a fazer shows maiores, e ganhar maior popularidade. Após o lançamento de primeiro álbum, a banda recebeu o rótulo de post-rock, mas os próprios membros da banda brincam, dizendo que a banda dá mais ênfase ao ‘rock’ do que ao ‘post’.

O’Malley’s Bar é um álbum que considero experimental, com suas claras influências de post-rock e shoegaze. O álbum cria uma atmosfera envolvente, que leva o ouvinte para dentro da música, e remete a um clima que eu não encontro palavras melhores para classificá-lo que “fim de festa” ou “final de domingo”, pois a atmosfera do álbum traz todo um clima carregado de solidão, melancolia e tristeza, isso, sem perder o seu ‘charme’, digamos. O álbum tem 8 faixas, 7 delas com mais de 5 minutos de duração, com instrumentais muito bem arranjados e criativos, tudo isso acompanhado pela voz suave, mas em vários momentos, agressiva, de Magda Powalizs, que nos remetem, como já foi dito anteriormente, a uma atmosfera sonora de solidão.
Cul-De-Sac
Messages From a Drunken Broom

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Pink Floyd – Ummagumma
Por: Igor
@igorbdm_
Como assim? Pink Floyd em um blog de música underground?
Sim amigos, mas o meu post de hoje, é sobre um dos álbuns mais underrateds da banda, um álbum que muitos nem sabem da existência, o Ummagumma*.
As pessoas costumam conhecer o Pink Floyd por sua grandiosidade, por suas abordagens líricas pesadas e profundas, pelas suas músicas com instrumentais muito bem trabalhados e coesos, e por ser uma banda que já estava muito a frente de sua época durante o seu período de maior sucesso. Pink Floyd é lembrado por seus grandes sucessos como o Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals e The Wall, mas o que a maioria das pessoas que ouvem o Floyd não sabem, é que até a banda alcançar tal maturidade musical, eles passaram por épocas muito obscuras, a ponto de quase desistirem e terminar com a banda, o que por sorte, não aconteceu.
Após a loucura devido ao uso excessivo de ácido lisérgico tomar conta de Syd Barrett (vocalista, guitarrista e principal compositor do Floyd), não restou outra alternativa para os outros Floyds, a não ser afasta-lo da banda, pouco tempo após lançarem seu primeiro álbum, o The Piper at the Gates of Dawn. O grande problema, é queSyd era a mente brilhante da banda, responsável por praticamente todas as composições, e pelo sucesso que até então eles estavam fazendo. Com o afastamento de Syd, David Gilmour entrou em seu lugar, lançaram mais um álbum, o Saucerful of Secrets (que ainda continha algumas das composições de Barrett) e logo após isso, entraram em um hiato criativo. E este hiato criativo foi o que abriu as portas para o experimentalismo no Pink Floyd, que apesar de terem sido épocas difíceis para os Floyds, foram essenciais para futuramente, atingir a complexidade sonora de Dark Side of the Moon, seu maior sucesso.

Sem o seu principal compositor, a banda não sabia o que fazer para continuar, e cogitaram até a possibilidade de desistir. Então, resolveram gravar um álbum experimental, que seria dividido em 4 partes, onde cada um dos 4 membros ficaria responsável por uma dessas partes. O álbum se inicia com Sysyphus Part One, Two, Three and Four, que são solos de órgão que variam entre algo ‘melódico’ e ‘impactante’, gravados pelo tecladista Richard Wright. Após o fim da seção de Wright, inicia-se a segunda parte do álbum, gravada pelo baixista Roger Waters. Grantchester Meadows, uma composição totalmente Folk, agradável aos ouvidos, gravado usando um efeito stéreo, que traz uma sensação de espaço e profundidade ao som, algo inovador para a época. A segunda composição de Waters, para mim, é a mais interessante do álbum: a música “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict” o que é nada mais, uma simulação de sons de animais silvestres, sendo gravadas apenas usando variações de entonação na voz de Waters, sons com a boca, batidas de diferentes velocidades no microfone, estalos de dedo, sem nenhum uso de instrumentos musicais. Seguimos para a terceira parte do álbum, gravada por David Gilmour, intitulada de The Narrow Way, Parte I, II e III. Apenas pequenos solos de violão, e guitarra psicodélica. Um trabalho interessante, porém, atualmente, Gilmour afirma que não consegue sequer se lembrar da sonoridade de sua parte do Ummagumma*. E por fim, The Grand Vizier’s Garden Party, a última parte do álbum, gravada por Nick Mason, baterista da banda. Dividida em três partes, “Entrance”, “Entertainment” e “Exit”. Que consiste em solos de bateria, e melodias de flauta, tocadas por sua esposa.
Ummagumma* é um álbum ALTAMENTE experimental, e difícil de engolir para muitos dos fãs de Pink Floyd, mas em minha opinião, é um ótimo álbum, que mostra as habilidades individuais de cada membro da banda.
Para quem gosta de experimentalismos e psicodelia, e para os fãs de Pink Floyd que desconhecem tal época da banda, este álbum DEVE estar em sua Playlist.
*O álbum Ummagumma, na verdade é um álbum duplo, o álbum de Estúdio, e um Ao vivo, porém, nesta Review, o álbum em que falei foi o de Estúdio (Ummagumma – Stúdio Álbum)
The Narrow Way, Part I
Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict
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Tenham uma boa viagem!
Brant Bjork – Jalamanta
Por: Igor
@igorbdm_
Brant Bjork é um produtor musical, e músico californiano. Foi fundador e baterista de uma das bandas que difundiu o Stoner Rock/Desert Rock pelo mundo,Kyuss. Após o lançamento de um dos álbuns de maior sucesso da banda, Bjork por algum motivo saiu da banda, e a partir dai, passou a produzir e tocar com algumas bandas do deserto californiano, como Fu Manchu, Fatso Jetson, Ché, entre outras.
Em 1999, Brant começou sua carreira solo, e lançou seu primeiro disco “Jalamanta”, usando seu próprio selo o Duna Records (que alguns anos depois, mudou o nome para Low Desert Punk), e a partir de então, lançou mais 8 álbuns. Todos eles, albuns de qualidade. Porém, a sonoridade do Jalamanta tem um diferencial…

… E o diferencial, é que, segundo o próprio Brant, o álbum foi composto por ele com o intuito de trazer os ouvintes para uma viagem -junto a ele- pelo cotidiano de Palm Springs Desert- CA. Propósito que foi cumprido com maestria, pois, Jalamanta realmente é um álbum que consegue passar toda uma sensação de clima árido e desértico, perfeito para viagens pelo litoral em dias de verão ensolarado.
Ouvir esse álbum é uma experiência muito agradável aos ouvidos de quem é fã de Desert-Rock, mas que anda a procura de um som, digamos, mais “Chill-Out”. Apesar de ter uma sonoridade mais tranquila, Brant não deixou de trazer influências dos seus anos tocando no Kyuss, e mesmo nesse álbum voltado mais ao Groove do Desert-Rock, Brant conseguiu adicionar elementos do bom e velho Stoner californiano, como peso e psicodelia.
Bom, este álbum tem uma sonoridade muito peculiar, e é realemente muito difícil falar dele. A última coisa que posso acrescentar, é que esse álbum é altamente recomendado (por mim) para os que não conhecem muito a respeito do gênero, por ter uma sonoridade agradável. E ainda mais recomendado para os que já são familiarizados com o stoner/desert rock, por se tratar de uma obra de um dos maiores mentores desse gênero músical.
Automatic Fantastic
Defender of the Oleander

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Tenham uma boa viagem!













