A música que vai muito além da mainstream

Archive for dezembro, 2011

Kurt Vile – Smoke Ring For My Halo

Por: Igor

@igorbdm_

 

Kurt Vile é um guitarrista nascido em 1980 na Filadélfia, que iníciou sua carreira musical por volta de 2003, na banda The War on Drugs, onde naquela época, já demonstrava sua paixão pelo folk americano, especialmente por Bob Dylan. Apenas em 2008, a banda lançou seu debut álbum, e mais pro final do ano, Kurt decidiu sair da banda, e iniciar sua carreira solo. A banda tinha uma sonoridade peculiar, misturando o folk com elementos de shoegaze, o que acabou por influenciar Kurt em sua carreira solo. Em 2008, Vile começou sua carreira solo com o álbum Constant Hitmaker, em 2009 lançou mais um álbum: God Is Saying This To You, e logo após, fechou contrato com a “Matador Records”, e usando este selo, acabou por lançar seu terceiro álbum ainda em 2009, Childish Prodigy.

No ano de 2011, Vile lançou o que provou ser – até agora – o seu melhor álbum: Smoke Ring For My Halo, álbum que foi muito bem recebido pela crítica, e não só pelos críticos amadores como nós, mas grandes nomes já elogiaram este seu último álbum. Robin Pecknold, do Fleet Foxes elogiou muito o álbum, e Kim Gordon, a baixista (e as vezes guitarrista) do lendário Sonic Youth, diz se sentir culpada por ouvir frenéticamente o novo álbum de Kurt.

Smoke Ring For My Halo é uma viagem por dentro dos pensamentos de Kurt. As letras abordam temas sombrios como a tristeza, a insegurança, a incerteza e o saudosismo. As letras melancólicas e melódicas aliadas a sua voz e forma de cantar, renderam comparações com o poeta das esquinas de Nova York, Lou Reed. O álbum conta com uma sonoridade folk caracterista americana, com as devidas influências de Bob Dylan, e uma pitada de psicodelia, e apesar da grande melhora de qualidade das gravações desde o início de sua carreira, alguns ruídos foram mantidos no álbum, fazendo com que Vile não se livrasse do rótulo lo-fi.

Arranjos musicais simples porém bem trabalhados, mas que não deixam espaços vazios, sendo sempre preenchidos com guitarras reverberadas, tamborins, camadas de teclado usando diferentes timbres, e combinando muito bem o som do violão com o da guitarra elétrica, gerando uma atmosfera hipnótica e psicodélica, e é claro, uma identidade própria para o som de Vile. Para os amantes do bom e velho psychedelic-folk, Smoke Ring For My Halo é um prato cheio, recomendado por muitos músicos de nome no cenário indie, e por mim, que posso dizer que foi o melhor álbum do ano (pelo menos até agora).

Smoke Ring For My Halo

Society Is My Friend


Necronomicon – The Queen Of Death

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Mais uma vez o nordeste toma a frente das demais regiões em se tratando de música boa. Além de ser o nome da banda, Necronomicon é um dos mais afamados livros fictícios criados por Lovecraft, célebre pela literatura de ficção e também como pai do Cthulhu, criatura fictícia horrenda citada como um dos precípuos ‘monstros’ da história. O grupo possui uma sonoridade que poderia ser descrita como, bem, eu diria que algo em torno do Progressive Doom com pitadas da psicodelia de Pink Floyd, se fosse para rotular. Formada por Pedro Ivo Araújo (vocals/bass/synth), Lillian Lessa (guitars) e Thiago Alef (drums), a banda usufrui de seus instrumentos para adentrar numa atmosfera musical onde a mistura de várias influências e principalmente a criatividade são as principais formas de expor o cerne dos músicos. Uma sonoridade bem inusitada e que vem dando certo.

A banda foi formada em 2009 na cidade de Maceió, Alagoas, por Pedro Ivo Araújo, Lilian Lessa e Alexander Moreira.  Lançaram somente um álbum pelo selo americano Hydro-Phonic Recods e em 2011 o baterista Alexander Moreira deixou o grupo, sendo substituído por Thiago Alef. Atualmente já terminaram a gravação de seu segundo álbum, intitulado The Queen Of Death que tem lançamento previsto para 2012 em CD e Vinil, também pelo selo Hydro-Phonic.

O LP possui quase 40 minutos de duração que estão distribuídos em 6 faixas, as quais aduzem sons relacionados ao rock progressivo, doom e psychedelic. Essa mistura faz com que as músicas sejam abordadas com uma feição um pouco diferente, tornando o álbum algo muito interessante e prazeroso de ouvir. Apesar da banda ser apenas um trio, o arranjo das músicas é bem evoluído, o que  faz com que o timbre de cada instrumento possa ser aproveitado ao máximo por meio de suas composições. O vocal (em inglês) de Pedro beira o ideal para o gênero e completa a elaboração das canções. O cara consegue realizar a função de tocar o baixo e cantar ao mesmo tempo com muita destreza, de maneira com que as duas se tornem destaques. A guitarra é outro ponto interessante do álbum, a distorção pesada dá muitas vezes o lugar aos acordes cheios de efeitos que passam uma certa leveza e quê de psicodelia, contrastando com o peso da bateria.

Obviamente a qualidade de gravação não é super profissional, no entanto, o som dos caras é muito bom e mostra que cada vez mais o nordeste vem se mostrando como recanto para esse tipo de música. Muita gente precisa deixar o preconceito de lado e apoiar esse tipo iniciativa por parte dos músicos em perpetuar a música de qualidade. Give it a listen!

(Hypnotic Overdrive Machine)

*Obrigado ao Pedro por entrar em contato comigo e me mostra o som da banda. 


Siena Root – Far From The Sun

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Uma banda com sonoridade clássica, porém original. Siena Root é um grupo de Heavy Blues/Progressive Rock/Stoner/Psychedelic de Stockholm, Suíça, formado por KG West (guitars/organ/synth), Sam Riffer (bass/vocals) e Love “Billy” Forsberg (drums/percussion). A banda teve seu início no fim da década de noventa e já lançaram cinco álbuns até agora, sendo quatro de estúdio e o mais recente composto de vários jams ao vivo. A banda tem a característica de trocar de vocal todo álbum, ou seja, a sonoridade da banda pode sofrer metamorfose junto ao vocal totalmente diferente a cada formação, porém, sem abandonar as raízes da banda que estão fincadas nos gêneros que mencionei antes.

O terceiro álbum de estúdio do trio conta com o exímio vocalista Sartez Faraj (também vocalista da Three Seasons) que proporciona através de seu timbre característico e extremamente trabalhado o melhor da atmosfera e sonoridade do Rock setentista. Far From The Sun, lançado em 2008, é um álbum que mistura o Blues com o Rock Progressivo e Psicodélico de uma maneira muito homogênea, resultado de uma capacidade instrumental do grupo muito elevada. Os vocais de Sartez certamente estão em ‘território’ apropriado, acompanhados de riffs marcantes e de arpejos belíssimos. A estrutura conceitual do álbum é muito simples,  três caras tocando seus devidos instrumentos com maestria e conduzidos por um vocal progressivo que alcança as notas mais altas imagináveis. O diferencial está justamente na feição com que fazem isso e na capacidade de transmitirem e reacenderem o rock setentista da maneira mais original possível. O arranjo do álbum conta com uma certa complexidade, vários instrumentos são responsáveis por construírem e fundamentarem os pilares sonoros do grupo, desde citars até flautas e gaitas. Além de tudo isso, eu estaria sendo injusto se não destacasse o trabalho dos principais instrumentos em individual. O baixo é aquele característico do rock progressivo, não deixa os demais instrumentos se sobressaírem, criando através de seu groove e linhas impecáveis a sustentação necessário do álbum, onde a guitarra pode exercer o melhor de seu timbre através de riffs e solos com muito feeling. Não obstante, a bateria também realiza um trabalho notório, viradas e contra-tempos excepcionais são responsáveis pelo toque final nessa obra-prima musical.

Essa mistura de Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin condensada em um grupo certamente conta com músicas e álbuns de respeito, transcendendo as barreiras do usual e trazendo um pouco da década de 70 de volta para os nossos ouvidos.  Sonoridade massiva que pode ser facilmente confundida com alguma banda da época. Give it a listen!

(Waiting For The Sun)


Black Mountain – Wilderness Heart

Por: Vitor

@Visforviking

 

 

Wilderness Heart é o terceiro álbum da banda canadense Black Mountain, lançado em 14 de setembro de 2010.

Apesar da banda ser rotulada como Indie Rock (“gênero” que, comparado a outros, é recém-chegado no cenário musical), Psychedelic Rock e afins, por vezes é comum perguntar-se se não estamos ouvindo a algum grupo de hard rock ou heavy metal dos anos 70 ou aos stoner rockers californianos dos 90′s. O que responde a pergunta é o trabalho vocal do frontman Stephen McBean e da vocalista Amber Webber e justamente a mistura de tantos estilos musicais em um só álbum.

(Da esquerda para a direita) Stephen McBean, Jeremy Schmidt, Amber Webber, Joshua Wells, e Matt Camirand

“Wilderness Heart”, considerado a obra mais “acessível” da Banda até agora – comparado até ao Houses of the Holy dos ingleses Led Zeppelin por sua natureza mais solta e relaxada do que os álbuns anteriores – começa com a energética e divertida “The Hair Song”, onde ouvimos um dueto de McBean com Webber acompanhados pela melodia de guitarra e o exelente trabalho do tecladista Jeremy Schmidt, que lembra o Zeppelin ou Deep Purple. Outros momentos marcantes do álbum são as músicas “Radiant Hearts”, balada cantada em uníssono por McBean e Webber, sempre acompanhada por um violão e novamente o teclado de Schmidt; “Roller Coaster”, na qual Amber rouba a cena de Stephen; “Let Spirits Ride”, ao começar, faz o ouvinte esperar por, talvez, a voz de Ronnie James Dio nos seus tempos de Black Sabbath, sendo a música mais rápida e mais “heavy metal” do álbum, lembrando “Neon Knights”; “The Way to Gone” tem uma pegada psicodélica ou southern rock, com trabalho instrumental mais leve na maior parte da música e uma guitarra bem “groovy”. Wilderness Heart pode não ser o álbum mais experimental, psicodélico ou pesado do Black Mountain, mas com certeza soa muito bem aos ouvidos, dêem uma ouvida e também ouçam o resto do material da banda!

Integrantes:

Stephen McBean – Vocal e guitarra

Jeremy Schmidt – Teclado

Amber Webber – Vocal

Joshua Wells – Bateria

Matt Camirand – Baixo

The Hair Song

Old Fangs

Trivia:

Black Mountain é a front-line band do coletivo de músicos, artistas e amigos de Vancouver conhecido como Black Mountain Army, que reúne, (não somente) outras bandas dos integrantes de Black Mountain, como Pink Mountaintops (que eu futuramente trarei uma resenha aqui), projeto mais experimental do frontman Stephen McBean (com participações de praticamente toda a Black Mountain), Lightning Dust, constituída por Amber e Joshua, e Blood Meridian, na qual Matt canta e compõe e Joshua toca bateria.

*Quem é mais próximo meu e do pessoal do blog talvez tenha um déjà vu lendo essa resenha, pois ela foi feita por mim para o finado Music For The Deaf, um blog que eu, Igor, Crystopher e mais dois amigos começamos, mas não deu certo. Pode parecer preguiça, sim, mas não podia deixar de compartilhar com vocês esse álbum, que é o meu favorito deles, e por que escrever novamente sobre algo que já defini bem nesse texto?


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