A música que vai muito além da mainstream

Archive for novembro, 2011

A Fantástica Maddame – Tapa na Boca

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Uma explosão incomensurável de energia alucinógena direta de São Paulo! A junção dos âmagos de Marco Gonzalez (Voz/Gaitas),  Paulo de La Praga  (Guitarras/Backig Vocal), Bruno Gimenez ( Bateria/Backing Vocal) e Rick de La Vegha (Baixo/Backing Vocal) proporcionam o melhor do Rock Progressivo, Psicodélico e do Blues com influências sonoras brasileiríssimas.

A banda independente foi formada em 2002 com o âmbito comum entre os membros de espalhar sua arte musicada e seus pensamentos, fazendo shows em casas noturnas para conquistarem seu espaço no cenário nacional. A diligência dos integrantes para propagar o melhor do rock tramado teve resultado e logo estavam com a agenda cheia. De tudo isso veio a experiência e o entrosamento; fundamentais para o grupo pautar suas apresentações em algo performático e impactante, abusando de cores e boas vibrações. Muita harmonia misturada com guitarras distorcidas, clássicas do bom e velho rock n’ roll, juntas ao prestígio do melhor da cultura brasileira permitiram ao grupo que em 2005 fosse gravado seu primeiro LP “Tapa na boca”.

Nove faixas carregam junto consigo a responsabilidade de reacender o cenário progressivo brasileiro, tarefa nada fácil em meio a uma nação muitas vezes néscia. No entanto, o álbum é um prato cheio para os já amantes do gênero, normalmente acostumados a terem que recorrer a bandas gringas para uma satisfação sonora. O arranjo, fruto de uma verdadeira maestria musical, é fundamentado basicamente em distorções nervosas, linhas de baixo incandescentes, uma gaita ensandecida, contra-tempos alucinantes e muitos, mas muitos solos de “cair o queixo” que dividem o espaço e a atenção  com os vocais insólitos de Gonzalez que transpiram ardor nas letras galhofeiras e carregadas de perceptibilidade. O disco é uma verdadeira viagem, “Humildade à parte, mas eu quero o meu inteiro e não pela metade” é  um belo chute  inicial com uma vibe e uma levada bem sessentista, introduzindo o álbum que ainda conta com um pouco mais de meia hora partilhada entre um Blues bem raiz como em “Careta Blues” e “Pagando pra ver” ou um pouco de super progressividade como em “Ninho da mente” ou “Máquina à vapor“. Há até mesmo uma espécie de “forró progressivo” como em “Conselheiro do Sertão“. Em suma, o álbum é um carnaval de influências timbres e sons que abrangem não só Brasil, mas o mundo todo.

O quarteto, que já conseguiu algumas boas posições em festivais de música, é mais um suspiro que o Brasil dá para manter o que resta dos pilares da boa música progressiva nacional, junto a bandas como Anjo Gabriel, Bodoque, entre outras em meio a um universo musical alienado que vivenciamos atualmente. Comprem, apoiem, divulguem as boas bandas porque sem a nossa ajuda toda a atmosfera lisérgica da música nacional vai se exaurir. Give it a listen!

*A banda carece de vídeos de boa qualidade no YouTube, no entanto, vocês podem ouvir todas as músicas aqui.



Yama – Yama Demo

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

A resenha de hoje será sobre uma banda muito nova no cenário Stoner/Psych mas que trouxe uma demo respect. Yama é um grupo holandês de Utrecht formado por Alex Schenkels (Vox/ bluesharp), Elmer van Engelenburg (Drums), Sjoerd Albers (Guitars) e Peter Taverne (Bass). Os caras tocam desde 2008 e em 2009 chegaram a fazer algumas pequenas apresentações, mas somente depois de trocarem algumas vezes de formação e mudarem o nome da banda para Yama é que  começaram a compor novos materiais e usar/readaptar composições da antiga formação.

A banda lançou esse ano uma demo com duração aproximada de dezoito minutos que permeia vários gêneros, que vão desde os mais notórios como Stoner à la 60′s/70′s//Pyschedelic/Doom até o Blues. As 3 músicas da demo abrangem uma sonoridade com um horizonte muito amplo pautado, segundo a banda, em grooves pesados e riffs marcantes. As mudanças súbitas de compasso no meio das músicas são outro ponto forte, onde as composições chegam a clímaces elevadíssimos, como a primeira música que começa com uma pegada bem Dark, estilo Johny Cash e depois se revela num verdadeiro doom. Não esperem uma super produção por trás do álbum com mixagens profissionais e afins, é apenas uma demo de um grupo que está somente começando, mas que não poupa esforços para produzir um som de qualidade.

As influências dos caras são muito perceptíveis; Alex tocava em uma banda de Thrash Metal, Elmer era baterista de uma banda de Post-Punk e Garage-Rock, Sjoerd sempre foi guitarrista de Jazz e o Baixista Peter tocava em uma banda de Metal. A mistura de tudo isso leva ao som peculiar desse quarteto que está eclodindo da Holanda, país que nos últimos tempos vem trazendo grandes nomes para a música como Sungrazer, trio de Stoner/Pysch que lançou recentemente um álbum muito bem recebido pela crítica e blogs especializados. Não distante  disso, Yama também vem sendo muito bem recebido pela crítica e tenho certeza que seja lá quando lançarem um LP, vou ser um dos primeiros a ouvir. Give it a listen!

 

(Hollow)


Brant Bjork – Gods & Godesses

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Onze anos se passaram desde que o Sr. Brant Bjork lançou o Jalamanta, uma masterpiece  do desert-rock e um álbum obrigatório na biblioteca de qualquer amante do gênero. Nesse intervalo de um pouco mais de uma década, Brant lançou sete álbuns muito bons, mas que não foram escolhidos para a minha resenha de hoje. No ano passado o baterista da banda ícone do cenário stoner lançou o seu nono álbum em carreira solo intitulado Gods & Godesses. Sem querer menosprezar os álbuns que seguiram Jalamanta, Gods & Godesses reacendeu para mim o verdadeiro potencial de Brant. Estaria essa aparente melhora musical relacionada a sua volta com alguns de seus companheiros do Kyuss para turnês sob o nome de Kyuss Lives! ? Infelizmente essa pergunta só pode ser respondida pelo próprio Brant, mas para mim a sua volta aos palcos sob o nome da banda que praticamente fez o seu nome e o lançou no mundo da música teve sim algum tipo de influência em seus últimos trabalhos de sua carreira solo. Afinal, como o Igor já disse em sua resenha sobre o show do Kyuss Lives!, Brant tinha uma aparente vontade de tocar muito grande, mostrando animação e satisfação com sua carreira.

Gods and Godesses tem tudo que qualquer fã de Brant queria ouvir, com algum pegada de Blues o álbum começa com a faixa Dirty Birds, uma das minhas favoritas, que introduz o que está por vir pelos aproximadamente trinta minutos restantes, solos desnorteantes de guitarra acompanhados do mais belo Wah-Wah, linhas de baixo incríveis e, é claro, uma bateria que só o Sr. Bjork consegue nos proporcionar. Muito groove que parece fluir magistralmente das mãos de Brant e seu vocal inconfundível, adicionado na parte estrutural do álbum uma qualidade incomensurável em seus arranjos. Radio Mecca, a terceira música do LP, possui uma levada meio funky onde Brant parece demonstrar sua melhor encarnação de Jimi Hendrix, jogando na cara de todo mundo o exímio multi-instrumentista que é. O álbum segue com sua insanidade musical até Porto, penúltima música, que aparentemente é uma homenagem ou ao Brasil ou a Portugal, não sei dizer. De qualquer jeito, valeu a tentativa, Brant. Ainda o veneramos!

O álbum acabou de sair, no entanto, suas músicas já parecem clássicos da cena desert-rock, tamanha sua virtude musical. Brant Bjork consegue sempre buscar o tradicional, adicionar a sua pegada e transformar a sonoridade em algo ímpar,  o que é completamente esperado de um músico do seu nível, porém, apesar dos anos estarem passando, a única coisa que muda é a idade, pois o talento do cara continua incontestável e sempre nos surpreendendo.  Gods & Godesses pode ser o início de um novo período virtuoso na carreira de Brant ou até mesmo um gás para a reafirmação do cenário musical que compôs sua vida. Give it a listen!

*Perdoem qualquer erro, tive que fazer essa resenha correndo para ir fazer o vestibular.

(Radio Mecca)


Ufesas – Ufesas

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Ao contrário do conceito e principalmente do preconceito tido por muitos em relação as bandas que não são da linha América do Norte-Europa serem ruins ou serem desprovidas de alguma coisa devido a localização geográfica, apresento-lhes uma banda de Stoner/Psychedelic chamada Ufesas. Oriunda de Canelones, Uruguai, a banda formada por Diego Mercadal (drums/percussion), Federico Bolagno (vocals/guitars), Joey Mercadal (guitar/vocals), Leandro Machín Rebellato (bass/vocals) começou com apenas um grupo de amigos numa garagem se divertindo através de jams. Atualmente a banda está muito distante disso, pelo menos em se tratando da sonoridade, pois os caras providenciam um stoner  de muita qualidade em todos os termos, tanto musicais quanto conceituais.

Lançaram esse ano um LP auto-intitulado que seguiu o lançamento de seu EP de apenas duas músicas lançado em 2009.  Muito groove e arranjos descontraídos, porém, de qualidade altíssima, onde o baixo constrói linhas brilhantes acompanhado da bateria enquanto os solos e os riffs criam uma atmosfera caótica, parecem ser o ponto forte do disco. O quarteto aparentemente  passeia por entre a linha cronológica da música, apresentando como influência desde a selvageria do The Stooges e os solos lisérgicos de Jimi Hendrix, até um pouco da atmosfera ‘Space-Rockiana‘ dos britânicos da Hawkwind. O vocal de Joey se adapta conforme o clima da música sendo agressivo, mas também calmo e sutil quando necessário.

O Stoner-Rock está frequentemente associado e relacionado ao Blues e mesmo em se tratando de uma banda Latina o costume não é quebrado aqui. Não entendam isso como uma falta de personalidade do quarteto, o grupo tem um quê muito forte e muito amplo para ser explorado e, quanto maiores e diversas as influências, mais completas e possivelmente complexas se tornam as suas composições. O arranjo é pautado na repetição de riffs, o que na música é denominado de Drone. Esse estilo musical, provavelmente difundido na música popular pela banda de psychedelic rock The Velvet Underground, possibilita uma hipnotização sonora  quando junto aos timbres e ouvintes certos.

O grupo uruguaio apresenta nesse LP , que segundo eles foi gravado em uma tarde de inverno de Agosto, quase 30 minutos do melhor do stoner groove e do feeling psicodélico que certamente irão servir de base para futuros lançamentos muito mais trabalhados e amadurecidos dessa banda promissora que completa nosso pequenos tour de Quinta, Sexta e Sábado pela América do Sul,  aqui no LSD, com as bandas Cultura Tres, Dorgas e Ufesas. Não é necessário ir tão longe para se ter música de qualidade. Give it a listen!

(Dead Town Blues)

*O álbum pode ser baixado de graça no Bandcamp da banda clicando aqui.


Dorgas – Verdeja Music

Por: Igor

@igorbdm_

Fugindo de qualquer padrão da música brasileira, e adentrando em territórios musicais pouquíssimos explorados em nosso país, os cariocas da banda Dorgas conseguiram criar uma sonoridade muito fora do usual (pelo menos nas métricas musicais brasileiras), que remete muito ao  shoegaze, estilo musical de bandas como My Bloody Valentine, Deerhunter e  LSD and the Search for God.

A banda foi formada em 2009 por Cassius Augusto (voz, baixo, teclados), Gabriel Guerra (voz, guitarra, teclados), Eduardo Verdeja (guitarra) e Lucas Freire (bateria), que em 2010 lançaram seu primeiro EP: Verdeja Music, e pouco tempo depois, mais especificamente este ano (2011) , lançaram dois singles: Loxhanxha e Grangongon.

Como já foi Dito Antes, a banda conta com uma sonoridade muito peculiar, que ouvidos de meros mortais como nós classificariam-na  como Shoegaze, porém, não acho certo prender o som dos caras a um simples rótulo. Digo isso pois seu primeiro EP, Verdeja Music, de fato cria uma ambientação típica de bandas shoegaze e post-rock, recheada de sons etéreos e ambientalizações, mas sem se prender aos padrões do estilo, eles acabaram por criar uma sonoridade própria e muito original, gerando uma atmosfera única em seu som.

Pouco tempo após o lançamento do EP Verdeja Music, eles lançaram um Single: Loxhanxha. Este já nos aprensentou uma evolução no som dos caras, aliando elementos de jazz e da música brasileira com a proposta sonora anteriormente comentada, criando um som ainda mais único, e tirando qualquer dúvida de que poderia ter vindo a surgir quanto a habilidade dos membros da banda, que provaram saber dominar com maestria os seus respectivos instrumentos.

Dorgas é uma banda nacional com um futuro muito promissor, que merece destaque e um lugar especial na playlist dos amantes do shoegaze e da música experimental. E enquanto a banda se prepara para lançar seu Debut Álbum em 2012, temos seus Singles e EP’s para ouvir. Apreciem sem moderação!

Use esses links para acessar o bandcamp da banda Dorgas, onde vocês podem ouvir suas músicas, comprar o álbum pelo preço que vocês acharem digno pagar (inclusive de graça), obter mais informações e contato com a banda.

Verdeja Music (EP)

Loxhanxha (Single)


Weird Owl – Ever The Silver Cord Be Loosed

Por: Vitor

@VIsForViking

“Or ever the silver cord be loosed, or the golden bowl be broken, or the pitcher be broken at the fountain, or the wheel broken at the cistern. Then shall the dust return to the earth as it was: and the spirit shall return unto God who gave it.”

Eclesiastes, 12:6-12:7

Dessa passagem bíblica foi tirada o título do debut LP dos nova-iorquinos Weird Owl. O “cordão de prata”, nos termos bíblicos e para quem pratica projeção astral, é o elo que liga o corpo à alma em todas as pessoas. Durante a projeção astral, dizem que é possível ver esse cordão e pode segui-lo, caso o projetor perca-se do seu corpo.

Lançado em 2009, Ever The Silver Cord Be Loosed é uma dessas experiências que, se feitas de modo certo (sem distrações e ouvida do começo ao fim sem interrupções – e de preferência no escuro e/ou de olhos fechados e/ou chapado) evocam uma bela viagem astral, apresentando traços de space, stoner e psychedelic rock com maestria. Guitarras cheias de fuzz, sintetizadores cósmicos, linhas de baixo  e percursão hipnóticas e um vocal de ótima qualidade.

Além desse feeling de viagem astral que destaca-se principalmente nas primeiras tracks do álbum, há também um clima árido no seu som, desert rock californiano de qualidade, apesar de estarem do outro lado dos States, trazendo à mente os canyons e mesas dos grandes desertos americanos. A obra, em sua maior parte é de passagem bem relaxada, chill-out, mas acaba numa grande peça desert-rock-psicodélica (?) em Flying Low Through The Air After Thunder.

Com influências de grandes figuras do psicodelismo como  The 13th Floor Elevators e Captain Beefheart & His Magical Band e sons garage rock como os de Crazy Horse (Associados a Neil Young), Weird Owl une-se a frente das grandes bandas de neo-psicodelia da atualidade junto à Black Mountain (a qual eu certamente trarei uma resenha aqui no LSD no futuro), Dead Meadow e The Black Angels (Outra que futuramente poderão ler sobre aqui no blog) em termos de qualidade. Have a good trip!

Weird Owl é:

John Cassidy: keyboard, synth
Kenneth Cook: bass, keyboard, synth, back-up vocals
Sean Reynolds: drums, percussion
Jon Rudd: guitar
Trevor Tyrrell: vocals, guitar


Cultura Tres – El Mal Del Bien

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Toda a opressão sofrida pela America Latina junto ao ódio pelas nações que se dizem superiores contida em um álbum dessa banda venezuelana chamada Cultura Tres. A banda de Sludge/Doom muito influenciada por Black Sabbath e Sepultura (é muito melhor) formada por Alejandro Londono (vocals/guitar), Juan Manuel de Ferrari (guitars/vocals), Alonso Milano (bass), David Abbink (drums) lançou recentemente o álbum El Mal Del Bien que traz 12 faixas (incluindo dois covers, um do Black Sabbath e outro da banda Epitafio) do mais cru, doentio e nervoso Sludge possível.

Lançaram um EP em 2007 chamado Seis que possibilitou um reconhecimento na América do Sul, mas somente em outubro de 2008 com o lançamento de seu debut  LP La Cura que a banda conseguiu uma notoriedade mundial. Com o sucesso que veio a partir daí e com grandes turnês que realizaram, o grupo amadureceu e obteve diversas influências pelo seu caminho ao longo do mundo todo, assim como também conseguiu uma notoriedade maior em meio as mídias, tanto impressa quanto digital. Em 2010 o quarteto voltou aos estúdios para começarem a preparar seu segundo LP, assunto da review de hoje.

El Mal Del Bien, lançado no começo desse ano, consegue trazer uma atmosfera muito mais sombria do que seu lançamento anterior, dessa vez a banda focou em produzir algo direto, que tivesse a cara do povo daqui. O disco incorpora elementos do Death Metal, Thrash, Dark Psych e até mesmo do Folk. Com um timbre característico, afinação jogada lá em baixo e com músicas bem down-tempo os caras criam uma atmosfera sul-americana que consegue reunir todos os povos em uma zona em comum para o melhor da sonoridade do Doom Metal. É muito perceptível, especialmente na música que abre o álbum “Propiedad de Dios”, o vocal com o estilo característico do ex-vocalista do Alice in Chains Layne Staley, talvez pelo timbre parecido, talvez pela peculiaridade arrastada, mas principalmente porque ambas as bandas conseguem transmitir o melhor da depressão sombria através de seus vocais marcantes juntos aos instrumentos afinados abaixo da afinação padrão. Enquanto os instrumentos, tocados com a devida perícia, criam a atmosfera Doom, acompanhados às vezes de batuques e sons tribais, o vocal de Alejandro se sobrepõe perfeitamente ao arranjo para criar uma combinação magistral que aparentemente gera a sonoridade mais obscura que a América do Sul já viu.

Assim como Ehecatl, projeto do Thomas Bellier, Cultura Tres não falha em transmitir todo o clima sombrio por trás do nosso continente culturalmente vasto. Uma banda com um futuro promissor dentro do cenário do Sludge/Doom que só tem a crescer daqui pra frente. Give it a listen!

(Propiedad de Dios)

*O álbum pode ser baixado pelo preço que você escolher (isso inclui de graça) no Bandcamp da banda que você pode acessar clicando aqui.


Caspian – Tertia

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

É sabido que todos os anos, devido a uma maior difusão do gênero e um número cada vez maior de bandas, os lançamentos de post-rock aumentam numa escala desmesurada, porém, a qualidade nem sempre segue a mesma regra. Felizmente Caspian é uma banda de respeito que vem trazendo bons trabalhos, que devem ser enxergados como não somente uma adição ao cenário do post-rock, mas sim como um acréscimo de qualidade na música contemporânea e, se depender da sonoridade e qualidade deles, junto com Long Distance Calling, If These Trees Could Talk, Russian Circles, God Is An Astronaut, etc o mundo vai sempre ter o melhor do gênero para desfrutar. Apesar dos caras não se declararem como uma banda de Post-Rock, eles sem dúvida atraíram e continuam atraindo muitos fãs do gênero.

O grupo oriundo de Beverly, Massachusetts, que é atualmente um sexteto conta com Philip Jamieson (guitar/keyboards), Calvin Joss (guitar), Chris Friedrich (bass), Joe Vickers (drums), Erin Burke-Moran (guitar), Jonny Ashburn (guitar) e já lançaram dois LP’s até agora. Formada em 2003, começou como qualquer outra banda, produzindo material, gravando demos e realizando um pequeno número de shows, sendo que em 2004 a banda ainda não havia escolhido o nome Caspian e procurava inclusive um vocalista, ideia descartada mais tarde. Logo passaram a abrir para bandas maiores e finalmente se arrojaram ao mundo, lançando além de EP’s seu primeiro álbum em 2007 intitulado The Four Trees, sendo seguido em 2009 pelo álbum tema da review de hoje, chamado de Tertia.

Às vezes é muito difícil para nós, pessoas que trabalhamos nossos olhares técnicos e críticos em cima de algum trabalho, analisarmos uma obra friamente, somente do ponto de vista técnico e conceitual. Caspian é uma dessas bandas que trazem algo a mais junto a sua música, não podemos simplesmente  analisar sua obra da maneira tradicional, devemos ouvir e ouvir de novo para captarmos tudo que o grupo tem a nos dizer através de seus arranjos, pois os caras conseguem atingir mais do que somente aos nossos ouvidos com suas melodias homéricas que transcendem as harmonizações populares, há um mundo em potencial a ser revelado quando ouvimos essa junção desatinada  de estruturas musicais suntuosas. Apesar do álbum não ser tão pesado, podemos dizer que sua sonoridade beira o post-metal, o grupo trabalha muito em cima do épico em suas composições, fazendo com que cada música pareça uma jornada que travamos contra algo ou alguém para sobreviver. Além das guitarras que providenciam o melhor da ambientalidade e das linhas de baixo que dão o peso por trás do som etéreo, a bateria funciona não somente como um acompanhamento para a sonoridade celestial, mas sim como complemento, pois cada batida e cada virada parecem preencher todos os vazios por trás do arranjo essencialmente melódico. O LP é intenso e abunda de ótimos clímaces por entre sua musicalidade envolvente, tornando a experiência de ouvi-lo algo sempar e provavelmente distinto da maioria dos parâmetros relacionados ao cenário. Outro ponto positivo é que o disco, que foi gravado em epenas duas semanas, é  notavelmente objetivo e traz em seus 58 minutos de duração 10 faixas que não superam os 9 minutos, divergindo daquelas músicas extremamente longas que em alguns casos não chegam a lugar algum no decorrer de seus desenvolvimentos.

Ao contrário daqueles que dizem que o post-rock está se exaurindo e que suas veias não pulsam mais como antes, eu digo ‘filtre’ melhor o que você está ouvindo, pois apesar do grande número de bandas que apenas se dizem adeptas ao gênero, há também as despretensiosas que certamente trazem em seus trabalhos músicas tão incríveis quanto os melhores do gênero e, que assim como Caspian, conseguem te conquistar. Give it a listen!

 (The Raven)


Earthless – Rhytms from a Cosmic Sky

Por: Igor

@igorbdm_

 

Os californianos do Earthless são um trio de psychedelic-rock, formado em 2001, porém, com seu debut álbum, “Sonic Prayer” lançado apenas em 2005. Sonic Prayer conseguiu conqusitar os ouvintes com apenas duas tracks de aproximadamente 20 minutos cada, que consistem no supra-sumo do rock psicodélico, que mais aparentam ser duas jam sessions entre os três membros da banda: Isaiah Mitchell na guitarra, Mike Eginto no baixo e Mario Rubalcaba na bateria. Em 2007, o trio mudou de gravadora e lançou seu álbum Rhytms from a Cosmic Sky, outro álbum “jam session” com mais duas tracks de aproximadamente 20 minutos cada (e uma track bônus de 4 minutos que foi lançada apenas na versão em CD do álbum), que foi absurdamente bem recebido pela crítica, e conseguiu uma pontuação de 4,5/5 do guia musical AMG. Recentemente a banda lançou um split com a banda witch e um live álbum.

Rhytms from a Cosmic Sky é um álbum carregado com o melhor dos ritmos psicodélicos sessentistas e setentistas, com composições frequentemente comparadas as de bandas de rock psicodélico daquela época, tais como Cream e até Jimi Hendrix, óbviamente, cada banda em seu tempo, até porque, hoje em dia, os recursos musicais que temos, tanto no quesito de produção, quanto de efeitos, são muito mais vastos e abrangentes. Mas isso de fato não tira o mérito desse trio, que com toda uma técnica musical, conseguem aproveitar aos extremos o uso de efeitos para modular seu som, criando de fato, rítmos cósmicos, fazendo o ouvinte transcender em uma viagem espiritual psicodélica. As linhas de baixo desse álbum são impecáveis: muito bem trabalhadas, com o melhor do groove psicodélico, e criando a sustentação necessária para os insanos solos de guitarra de Isaiah Mitchell, solos que “sofrem” de um imenso abuso de técnica e feeling. De fato, o supra-sumo do rock psicodélico atual. Mario Rubalcaba não fez feio, e não deixou com que os outros dois companheiros de banda se sobressaíssem: todo o peso das linhas de baixo e dos solos de guitarra são muito bem acompanhados pelas viradas insanas e contratempos na bateria, o que torna a banda IMPECÁVEL no quesito instrumental.

Earthless apenas buscou o melhor do rock psicodélico de 4 décadas atrás, o adaptou para as métricas do rock psicodélico atual e acabou inovando. Quebraram paradigmas musicais, deixaram os padrões e métricas de lado, e alcançaram um patamar acima de várias outras grandes bandas de rock no cenário mundial. Os caras do Earthless não são apenas mais uma banda psicodélica, eles inovaram o cenário psicodélico atual, e se tornaram uma referência a ser seguida por futuras bandas.

Godspeed

O trio em meio a uma jam session


Tame Impala – Innerspeaker

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Psicodelia da terra dos cangurus! Tame Impala é uma banda formada por Kevin Parker (vocals/guitars/bass/drums/keyboard), Jay Watson (drums/keyboard/guitars) e Dominic Simper (percussion/bass/guitar) e ainda conta em apresentações ao vivo com Nick Allbroock (bass). O grupo foi formado em 2007 e lançou dois EP’s , em 2008 e 2009, antes de lançarem seu debut LP intitulado Innerspeaker em 2010. A sonoridade da banda australiana está relacionada ao neo-psych, dream pop e ao rock alternativo em geral.

O grupo foi formado a partir de outra banda de Kevin Parker, chamada Dee Dee Dums, que já tinha um certo reconhecimento e já havia ganhado algumas boas posições em festivais. Algumas mudanças na formação e depois de trocarem o formato de dois guitarristas para o formato básico (bass,drums,guitar) o grupo mudou o nome para Tame Impala. O trio foi ganhando sucesso e logo em seguida começaram a aparecer as oportunidade de tocarem com grandes nomes do gênero, tais como The Black Keys, MGMT e You Am I, além de se apresentarem também em festivais mais renomados.

Existem muitas coisas a serem percebidas e destacadas nesse álbum em meio ao turbilhão de timbres e sons. A começar, o LP não deixa de ter a característica retrô, devido a sonoridade remeter muito ao que se ouvia na década de 60, fortemente influenciado por bandas como Cream e Jimi Hendrix Experience (ambas bandas de rock psicodélico dos anos 60),há também toda aquela vibe stoner misturada com British Pop e a exoticidade dos arranjos contemporâneos. O vocal de Kevin, comparado frequentemente ao Beatles John Lennon, se encaixa perfeitamente nas melodias criadas pelas linhas de baixo e pela guitarra com delay e phasers que juntos formam a excentricidade sonora audível na multi-dimensionalidade lisérgica arrastada pelos 53 minutos do álbum. O trio consegue capturar e transpor em suas músicas toda a complexidade da atmosfera psicodélica e a elevar a um patamar etéreo onde os solos de guitarra à la 60′s convergem primorosamente com os teclados para dar uma ambientalidade peculiar as tracks do disco.

As 11 músicas do disco envolvem um território complexo, que muito pode ser explorado quando o escutamos. Diversos sons proporcionam a característica que frequentemente denominamos como ‘trippy‘, devido a sua capacidade de nos fazer relaxar e viajar mentalmente para os lugares mais distantes imagináveis, tudo isso apenas através da música, uma droga que infelizmente nem todo mundo consegue sentir os efeitos. Tame Impala se mostra uma banda promissora e depois de um primeiro lançamento tão bem recebido como esse, só podemos esperar o melhor de seus próximos trabalhos. Give it a listen!

(Solitude Is  Bliss)

(Expectation)


Stoned Jesus – Stormy Monday EP

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Sabemos que a maioria de vocês está envolvida com o vestibular nesse domingo e por isso não terão tempo para acompanhar o blog. Para não deixar o dia passar em branco, trouxe um EP de uma banda promissora chamada Stoned Jesus (belo nome, não?). O grupo Ucraniano conta com Nikolay  (bass), Alex (drums) e Igor Krobak  (guitar/vocals) que trazem um som voltado pro Stoner-Doom/Sludge com fortes influências de Black Sabbath, Sleep e Eletric Wizard.

A banda começou como um projeto paralelo de Igor e depois de um tempo virou seu projeto principal. Lançaram algumas demos e esse ano lançaram um EP de apenas 25 minutos chamado Stormy Monday, que conta com quatro tracks, sendo que duas são a mesma música, porém uma é versão completa e a outra é editada. Vocais fortes e abrasivos de Igor junto aos riffs cativantes da banda fazem com que esse EP seja uma companhia simpática (mesmo que simpática seja um adjetivo estranho para descrever uma banda de Doom/Stoner) para os fãs do gênero . Destaque para a música Drunk & Horny que lembra Motörhead, uma das bandas precursoras do metal vomitado, e para  a música que dá título ao EP Stormy Monday, por possuir um conjunto de riffs e vocalizações agradáveis junto também a alguns belos solos de guitarra em seus 10 minutos de duração na versão estendida.

Depois de lançararem seu EP, a banda saiu em turnê e atualmente está gravando seu segundo lançamento, provavelmente um LP programado para início de 2012.


Stone Oak Cosmonaut – Out of Orbit

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Há tempos que queria escrever uma review sobre esse grupo e hoje finalmente consegui. Stone Oak Cosmonaut é uma banda holandesa independente da província de  Utrecht que produz um som relacionado ao Space-Rock e ao Stoner-Rock, mas que incorpora elementos de vários outros gêneros em suas músicas, tais como Metal, Psychedelic e Progressive. Muito influenciado pelos riffs clássicos do Stoner e pelo groove característico da banda britânica de Space-Rock Hawkwind, o trio formado por Fred Stacker (guitars), Von Trippenhof (bass/synth/vocals) e Peter Molendijk (drums) lançou dois álbuns até agora e o seu debut álbum de 2009 intitulado “Out of Orbit” será o assunto dessa review.

Out Of Orbit não tem esse nome à toa, o álbum é extremamente bem produzido, e produzido especialmente para quem quer dar uma viajada das  boas. A banda é relativamente nova e já produz um som impressionante, de respeito. Isso acaba sendo um destaque, pois os caras fazem música como se já estivessem por aí há pelo menos uns 20 anos produzindo sons de qualidade. Talvez isso possa ser explicado pois o nome “Von Trippenhof” pode ter soado familiar para algumas pessoas. O cara tocou por um período nos anos 90 na banda anglo-holandesa de rock experimental The Legendary Pink Dots, provável fonte de toda essa aparente experiência. Outro ponto forte da banda é a capacidade de aliar os sintetizadores aos sons às vezes pesado de seus jams, sem deixar o som saturado e sintético,  evitando assim aquela sonoridade enjoativoa e artificial muito comum em bandas sem personalidade e  qualidade. Os instrumentos são tocados com maestria, é possível sentir a química e o entrosamento entre o baixo e a bateria em faixas como Out of Orbit - Earthless que começa com arpejos na guitarra acompanhados de sintetizadores e da voz  calma de Trippenhof para introduzir uma dobradinha entre a bateria e o baixo que preparam os ouvintes para o clímax da música, uma entrada arrasadora da guitarra de Stacker, que segue até o fim da música com um timbre que remete ao gênio da guitarra  Jimi Hendrix tocando sua guitarra ensandecidamente. Outra faixa destaque do álbum é a música Out of Orbit – Star Voyage, um jam de 15 minutos que sucede Earthless e que juntas compoem o momento stand-out, ápice do álbum. Os vocais graves e profundos de Trippenhof completam o arranjo e dão um diferencial ao LP, transmitindo a escuridão do universo que pode ser sentida nas músicas e nas transmissões de rádio que frequentemente aparecem por entre as faixas.

Os quase 70 minutos de mind-blowing tracks do álbum dispostos em 9 faixas são o suficiente para qualquer um se apaixonar pelo gênero e pela banda que produz um som de altíssima qualidade conceitual e técnica, que ao final deixam aquele sentimento de ‘quero mais’, mesmo após mais de 1 hora de insaniedade musical. Give it a listen!

(Out of Orbit-Eathless)

(Out of Orbit-Star Voyage Pt. 1/2)

(Out of Orbit-Star Voyage Pt. 2/2)


God Is An Astronaut – All Is Violent, All Is Bright

Por: Igor

@igorbdm_

 

Quando em 1994, um jornalista resolveu criar o rótulo  “post-rock” para bandas que fugiam da métrica do rock em que se era acostumado naquela época, para algumas poucas bandas que faziam a junção de elementos do jazz, do rock progressivo com sintetizadores, ele provavelmente não imaginava que uma nova onda de bandas e músicos surgiria apartir de seu rótulo. Uma infinidade de bandas que usavam e abusavam de todos esses elementos, ainda adicionando pitadas de rock alternativo começaram a surgir, e o rótulo “post-rock” acabou de fato sendo adotado e “oficializado”. Dessas milhares de bandas, muitas ficaram apagadas com o tempo, outras já conseguiram trazer um diferencial ao seu som, e conseguirem ficar mais acesas no cenário musical underground. Uma dessas, seria o God is an Astronaut, formada na Irlanda em 2002, que logo após sua formação, criaram seu repertório e foram a um estúdio gravar seu debut álbum “The end of the Begining”, que conseguiu algum reconhecimento, e duas músicas da banda, com clipes produzidos por eles mesmos, foram parar na MTV UK. Em 2005, três anos após lançarem seu debut álbum, o God is an Astronaut lançou o All Is Violent, All Is Bright, álbum que foi muito bem recebido pelo público, e que passou a ser considerado um dos melhores da banda.

Um outro grande ponto forte da banda, é que seus shows costumam ter uma produção bem robusta, com telões gigantes reproduzindo vídeos feitos por eles mesmos, criando um verdadeiro show áudio-visual.

Ouça com caixas de som/fone de ouvido com todas as frequências: graves, médias e agudas bem definidas, de preferência, em total escuridão.

Tudo é violento, tudo é brilhante. Um nome forte para se dar a um álbum, e é exatamente o que o som que o GIAA consegue nos passar com esse álbum. Como a banda é instrumental (como a maioria das bandas do gênero) todo o sentimento que é transmitido por eles vem de seus arranjos musicais, arranjos que nos passam uma forte idéia de melancolia e uma visão de um mundo vazio, gelado e triste. O som atmosférico ambiente, gerado por sintetizadores dando uma sonoridade espacial e “flutuante” é responsável por boa parte do sentimento bucólico transmitido, aliado é claro, a clássica guitarra etérea das bandas de post rock. Linhas de baixo bem trabalhadas e consistentes, e é claro, a percurssão, que apesar de não ser de grande destaque neste álbum, é o que fecha a line-up essencial para a banda. God is an Astronaut não é uma banda que traz grandes inovações na questão musical, como por exemplo as bandas Long Distance Calling e If These Trees Could Talk. Mas o que causa o diferencial em relação ao grande mar de bandas de post-rock que temos por aí, creio eu que seja a melancolia e o sentimento transmitido pelas músicas. O nome do álbum, assim como o título de algumas músicas já preparam a mente do ouvinte para o que ele está prestes a ouvir. All is Violent, All is Bright é uma viagem de introspecção, que remete o ouvinte aos lugares mais profundos, obscuros e esquecidos de sua mente, retornando lembranças, buscando respostas, e levando o ouvinte para uma viagem de aproximadamente 50 minutos por dentro de sí próprio. É um álbum que foi feito não para ser ouvido, mas para ser sentido.

All is Violent, All is Bright

Fire Flies and Empty Skies


Asteroid – Asteroid II

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Pra quebrar um pouco a minha onda de post-rock nos posts que vinha trazendo pra vocês, eu trouxe hoje Asteroid.  A banda Oriunda de Örebro, Suíça, mostra que o país, junto a toda Europa, vem se mostrando potência do gênero. O grupo é uma mistura de Stoner, Blues, elementos psicodélicos e timbres do rock clássico. Formada originalmente por Elvis Campbell e Martin Ström, a banda conta atualmente com Robin Hirse nos vocais e guitarra, Johannes Nilsson nos vocais e no baixo e, por fim, Henrik Jansson na bateria. O trio lançou no começo do ano passado o álbum Asteroid II, que seguiu o lançamento do álbum auto-intitulado da banda  em 2007, que por sua vez seguiu o debut álbum da banda em 2006 Asteroid & Blowback.

Apesar da aparente diminuição de peso do grupo, o álbum continua na mesma linha, talvez até mesmo mais pesado. Isso porque, o peso não está diretamente relacionado a distorção e agressividade da bateria, mas sim a maneira com que as linhas de cada instrumento (baixo,guitarra,bateria) interagem umas com as outras para formar o arranjo. Esse álbum é trabalhado em cima do ‘crescendo‘, onde cada música serve de base para a outra, para que a música seguinte, por sua vez, apresente algo a mais, até a track ápice do álbum. Como eu já mencionei antes, o álbum é uma mistura de stoner,blues,psychedelic e elementos do classic rock, tudo isso, especialmente o blues e o classic rock, fazem com que o álbum tenha um feeling retrô, vintage. Não Obstante aos grandes períodos instrumentais da banda, o vocal é um destaque do disco. Hirse possui um timbre marcante, que junto aos riffs down-tempo da banda, dão o quê do grupo me lembrando inclusive, em pequenos trechos, eu disse pequenos trechos, Johny Cash. Aliás, em matéria de riffs, devido a maioria deles serem down-tempo, a banda lembra em alguns momentos os pais do gênero stoner,  Kyuss.

Em meio as faixas, há um espécie de trilogia entre as músicas, River, Lady e Towers não apresentam uma quebra que diferencie o começo e o fim de cada faixa. Com destaque para Lady que entre as 3, e provavelmente entre o álbum todo, é a música mais up-tempo do disco, sendo uma das minhas preferidas junto a música de abertura do álbum “Garden” que apresenta um dos melhores riffs que já ouvi na vida. Os pontos fortes desse lançamento são a criatividade do grupo que permitiram a criação de riffs muito marcantes, os vocais fortes de Hirse acompanhados em alguns momentos por uma faixa de áudio com um vocal tenor e outras vezes por um barítono que ajudam a compor a vibe do álbum e o feeling vintage das músicas.  Um LP muito sólido que traz uma musicalidade acima da média, vale muito a pena ouvir. Give it a listen!

(Garden)

(Karma)


The Sword – Gods of the Earth

Por: Igor

@igorbdm_

 

O meu post de hoje é de uma banda de stoner-metal vinda direto de Austin, Texas nos EUA. Formada em 2003, a banda decidiu que as letras de suas músicas se tratariam de épicos da mitologia nórdica, junto com uma sonoridade pesada e grave, o que trouxe a associação da banda com o stoner-metal. Em 2006 lançaram seu primeiro álbum, o Age of Winters, onde conseguiram algum reconhecimento, fazendo aparições nos jogos de videogame Guitar hero 2, e Tony Hawk’s Project 8. Em 2008, lançaram o Gods of the Earth, álbum em que falaremos hoje, e que ajudou a alavancar ainda mais a carreira da banda, recentemente abrindo shows para bandas grandes como o Metallica.

Como já disse anteriormente, o foco lírico da banda são temas da mitologia nórdica, inspirados por George Martin, Arthur Clarke e Lovecraft, o que acaba por nos remeter a atmosfera gelada da Noruega mitológica, onde grandes batalhas eram travadas entre guerreiros, arqueiros e criaturas místicas. O forte da banda não são só as letras narrando épicos nórdicos, mas também a sonoridade pesada e muito consistente, com riffs muito bem trabalhados, contando até com algumas partes acústicas durante o álbum, que só ajuda a reforçar a pegada mitológica do som. Solos muito bem coesos e bem executados,  e o vocal, ah, o vocal do The Sword! O timbre da voz de John D. Cronise definitivamente se encaixa perfeitamente com a temática do som dos caras. Frequentemente classificados como doom-metal, chegam a ser comparados até com as épocas mais antigas do Black Sabbath, o que  é mais um ponto positivo para conquistar o respeito da banda. Batalhas épicas, atmosfera nórdica gélida, riffs pesados e imersão total num mundo mitológico são o que você deve esperar desse álbum épico. Recomendo a todos os fãs do gênero ouvirem o Gods of the Earth, esperando por um som texano que não condiz nada com os estereótipos do seu estado de origem. Esse álbum é um MUST para fãs de stoner/doom rock/metal.

How Heavy this Axe

Under the Boughs


If These Trees Could Talk – If These Trees Could Talk

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Ocupando o mesmo patamar de Long Distance Calling em se tratando de grandiosidade musical e qualidade no cenário de Post-Rock (apesar de ser mais difundida) o quinteto formado por Tim Fihe (bass), Jeff Kalal (guitars), Cody Kelly (guitars), Zack Kelly (guitars) e Mike Socrates (drums) oriundo de Akron, Ohio, está  na ativa desde 2000 e praticamente 6 anos atrás, em 2006, lançaram seu debut álbum auto-intitulado, um EP que traz 6 músicas instrumentais do grupo com duração de aproximadamente 30 minutos.

O If These Trees Could Talk consegue se sobrepor musicalmente a maioria dos lançamentos de outras bandas ainda hoje, pois em se tratando de criatividade o EP foi visionário e conseguiu ir além das fronteiras existentes na época, que não é necessariamente o mesmo que dizer que a música dos caras é super complexa, mas sim que o caráter de criatividade dos músicos permitiu que fossem criados arranjos surpreendentes que chegaram nas graças dos amantes do post-rock devido a sua beleza. A banda conta com 3 guitarristas permitindo uma ambientalização de acordes e notas muito maior, ampliando as dimensões musicais e transformando a experiência de ouvir o som da banda numa verdadeira viagem de introspecção e ousadia auditiva para compreender  as linhas musicais criadas em meio a vastidão de sons proporcionados pela junção insólita de timbres obscuros.

Apesar de uma duração relativamente curta o álbum é extremamente sólido em relação a musicalidade e não falha em prender a atenção do ouvinte, pois desde o primeiro segundo o álbum joga você numa panela e te prende num universo vasto de sons atmosféricos, etéreos e que variam desde a nota mais calma até o acorde mais épico e sua melancolia, passando sentimentos de drama, tensão e paixão que tornam o álbum extremamente envolvente do ponto de vista psicológico e emocional. Um grande feito para um primeiro lançamento, muito expressivo, rico em valores e influências. O EP é extremamente recomendado para fãs do melhor do cenário do post-rock e para quem procura um som de qualidade distinto dos demais. Give it a listen!

(Malabar Front)


Kyuss Lives! @Carioca Club, São Paulo

Por: Igor

@igorbdm_

 

Então galera, vou fazer um post aqui no blog para justificar a minha ausência e a do Vitor nos últimos dias, e acho que é uma justificativa altamente plausível, já que fomos para o show dos californianos, “pais” do Stoner Rock, Kyuss, em São Paulo.

Não acho que seja necessário introduzir a banda, afinal, é muito provável que todos os que frequêntam o blog conheçam o som dos caras.

Enfim, após 16 anos que a banda se separou, John Garcia, Brant Bjork e Nick Oliveri resolveram se juntar para fazer uma turnê de shows tocando seus maiores sucessos da época de ouro do Kyuss. Josh Homme óbviamente foi convidado para voltar a se reunir com a banda em que ajudou a fundar, mas recusou o convite e foi substituído por Bruno Fevery.

Setlist:

Com uma setlist robusta, eles tocaram praticamente o Welcome to Sky Valley inteiro, o seu álbum mais aclamado, abrindo o show com Gardenia e arrancando berros da platéia.Óbviamente, tocaram só a nata do Blues for the Red Sun,  algumas poucas do …And Circus Leaves Town, incluindo seu single One Inch Man, e deixando o Wretch completamente no esquecimento. Minha opinião sobre o setlist é que não poderia ter sido melhor! As músicas parece que foram escolhidas a dedo para o show, e foram encaixadas em uma ordem que fez com que o público não parasse de cantar em nenhum momento, e por falar em público…

Público:

Tá aí uma das minhas maiores surpresas sobre o show: o público fiel. Por Kyuss não ser uma banda muito conhecida, e pelo fato de São Paulo ser uma cidade grande, cheia de metalheads, e pelo preço dos ingressos estarem, na medida do possível, acessíveis, imaginei que a maioria do público que estivesse lá iria apenas para ver mais um show de uma banda de som pesado. Ledo engano. A primeira surpresa foi logo que cheguei ao Carioca Club: muita gente vestindo camisetas do Kyuss, outros com camiseta do Queens of the Stone Age, aí eu comecei a perceber que o pessoal lá realmente era fã da banda, e lá dentro, quando a banda abriu com Gardenia, foi o momento que eu tive certeza que a galera era de fato, fã da banda. O clube tremeu com a galera cantando “Hear a purrin’ motor/And she ‘s a burning fuel/Push it over Baby/ We’re Making loooooove unto you”. Sensacional!

Banda:

Bom, vamos ao que realmente interessa. O que eu achei do show?

Simplesmente SENSACIONAL. Podemos dizer que a idade afetou os membros em sua aparência, o que é natural em qualquer ser humano, obviamente, mas posso afirmar com toda a certeza de que a performance de palco continua a mesma de 16 anos atrás: PERFEITA! O vocal de John Garcia continua o mesmo, atingindo tons graves a agudos com sua facilidade e maestria, cantando e fazendo o público delirar. Nick Oliveri foi uma surpresa a parte, dava pra sentir a sua vontade de tocar, onde viamos claramente ele cantando -longe do microfone- todas as músicas da banda, enquanto mandava o melhor do groove do baixo do Kyuss. Os que esperavam ver Scott Reeder em seu lugar com certeza não ficaram decepcionados, a performace de Nick foi surpreendente. Com muita, muita, mas MUITA energia e vontade de tocar, Brant Bjork mostrou que os anos não afetaram a performance dele na bateria, e que seus álbuns solo só o fizeram amadurecer musicalmente. A performance de Brant dispensa comentários, até brincou com os fãs na finalização de Supa Scoopa and Mighty Scoop (aquele fim “interminável”). E quanto ao substituto de Josh Homme? Bruno Fevery assumiu com maestria a guitarra do Kyuss. O cara de fato não deixou nada a desejar. Guitarra muito grave e suja, executando todos os acordes das músicas com perfeição. Os solos? Idem! solos muito bem executados, com o groove clássico do Kyuss. Óbviamente, Josh Homme nuncaserá substituido, pois seu timbre e pegada na guitarra são insubstituíveis, porém, Bruno Fevery conseguiu cumprir bem seu papel, e provou ser um ótimo substituto para Josh.

Gardenia

(Completa)

Allen’s Wrench + Green Machine

(Completas)

El Rodeo + 100º

(Completas)

*Todos os vídeos desse post foram filmados pelo Vitor

**Fotos são de minha autoria

Kyuss, de fato ainda vive (Kyuss Lives!). A expectativa para o show era imensa, e a banda conseguiu não só sacia-la, mas supera-la. De Gardenia até Green Machine, a banda provou que continua sendo digna de usar o nome Kyuss, e continuar arrancando a voz de seus fãs espalhados por todo o mundo. Desejo a todos que leem este post, que a banda volte ao Brasil, para os que não assistiram tenham a oportunidade de assistir, e aos que já assistiram (eu) possam assistir de novo.

Vou encerrar o post deixando com vocês, a incrível setlist do show.

  • Gardenia
  • Hurricane
  • One Inch Man
  • Thumb
  • Freedom Run
  • Asteroid
  • Supa Scoopa and Mighty Scoop
  • Conan Troutman
  • Odyssey
  • Whitewater
  • El Rodeo
  • 100°

Encore:

  • Fatso Forgotso
  • Allen’s Wrench
  • Green Machine

*Em breve atualizarei o post com mais fotos (tiradas por mim) e vídeos (filmados pelo Vitor), pois não estou em casa, e o Vitor ainda não fez upload dos vídeos.

** Em breve o Vitor provavelmente também postara uma review feita por ele sobre o Show

*** Em breve uma Review sobre o dia 14 do SWU


My Sleeping Karma – Tri

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

My Sleeping Karma é uma mind-traveling band fundamentada principalmente no psychedelic/progressive/space-rock. Originários de Aschaffenburg, Alemanha, o quarteto formado por Matte (bass), Seppi (guitar), Steffen (drums), Norman (dashboard), lançou em 2010 pela Elektrohasch Records, seu terceiro e provavelmente mais bem sucedido álbum, que recebeu o nome de Tri.

Ao contrário do nome simples, a sonoridade da banda é muito mais complexa e bem arranjada, composta de grooves psicodélicos com muita energia cósmica e emocional os caras te fazem entrar numa viajem que mistura as levadas do stoner com muita influência progressiva e toques de space-rock.

O Tri é constituído basicamente de arpejos guiados por uma linha de baixo extremamente coerente com a proposta da banda, uma mistura tão certa e conveniente que acaba virando o destaque do álbum. Em algumas horas, o climax da música se revela quando a guitarra assume a distorção e eleva o arranjo a um patamar épico e muito agradável aos ouvidos. O som multi-dimensional da guitarra progressiva junto ao peso de cada batida da bateria dão o toque necessário por trás do arranjo; tornando o som atmosférico, etéreo e espacial envolto de timbres riquíssimos, algo calmo e outrora envolvente para se ouvir. Tudo isso, tocado de uma maneira muito particular, permite que a banda se destaque em meio a tantas outras que surgiram nos últimos tempos e que se aproveitam do gênero para tentar sucesso com músicas ‘água com açucar’. Um disco sólido de aproximadamente 40 minutos dispostos em 9 faixas com uma vibe introspectiva, além de muito bem balanceado entre gêneros que vale muito a pena ouvir. Give it a listen!

(Brahamas)

(Sarasvati)


Anjo Gabriel – O Culto Secreto do Anjo Gabriel

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Provavelmente o passo mais longo que o Brasil já deu para adentrar no mundo do rock progressivo e psicodélico em toda sua patética história nesse país. A banda Anjo Gabriel, nativa de Pernambuco, Recife, teve a ousadia de inovar e aprofundar para produzir sons e timbres que todas as bandas nacionais do gênero até agora falharam, pelo menos em sua grande maioria. Houve bandas boas? É claro que houve! Mas talvez não boas o bastante, ao menos não para nos deixarem com alguma esperança de vermos o cenário psicodélico no país tomar um rumo mais favorável e merecido, para que quem sabe num futuro, mesmo que distante, sejamos referência para o restante do mundo, a ponto das notas tropicais ecoarem por todos os continentes em meio a todos os fãs da psicodelia e do rock progressivo.

A fonte de toda essa minha esperança vem da banda pernambucana que usa e abusa tanto da sonoridade dos anos 70,  que leva a todos nós pensarmos que o grupo está simplesmente parado, estagnado 40 anos atrás. André Sette (teclados), Cris Ras (guitarras), Ch Malves (bateria) e Marcos da Lata (baixo) formam o quarteto hippie que não somente toca, mas vive e respira em cima da imagem e música que transmite. O grupo que já está na ativa há em torno de 5 anos, lançou nesse ano seu primeiro álbum O Culto Secreto do Anjo Gabriel. O LP traz em suas 6 faixas algo em torno de 70 minutos, em sua maior parte instrumental, de tudo que há de mais ácido, progressivo e psicodélico diluído em seus arranjos. O álbum é tão dinâmico e bem feito que eu não sei nem por onde começar ou o que destacar, todos os instrumentos estão integrados de uma forma tão eficiente e coesa que ficaria difícil analisar tudo separadamente. O que eu posso dizer é que todos os músicos dominam seus instrumentos a ponto do arranjo beirar a perfeição. Além de riffs excelentes e de toda versatilidade caótica de improvisos, o álbum, horas pesado e horas devidamente calmo, ainda conta com vocais (que aparentemente remetem a vocalização hare krishna) em algumas faixas como Mantra III e Astralysmo.

O álbum que vem sendo alvo de críticas excelentes pela mídia especializada chegou para acender uma chama no coração de quem já estava jogando a toalha para a música brasileira. Provavelmente esse LP vai ser seu melhor amigo tanto em dias de Sol quanto em dias de chuva, ou tanto em dias agitados quanto monótonos , porque seja lá o que você estiver fazendo, vai ficar ainda melhor ao som dessa insanidade musical que esses hippies carismáticos nordestinos nos trazem. Rezemos para que a história desse grupo não se resuma em somente um álbum como já aconteceu tantas vezes, porque se você for brasileiro e fã desse tipo de música, não há como não se orgulhar e venerar essa gema nacional, ainda mais que tão rara! Abrace esse disco e mergulhe nos anos 70. Give it a listen!

(Peace Karma)

(Sunshine in Outer Space)


Ehécatl – Ehécatl

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Ehécatl é um Deus asteca relacionado ao vento e também o nome do novo projeto de Thomas Bellier. O guitarrista da banda francesa Blaak Heat Shujaa entrou em contato comigo e gentilmente me ofereceu uma promo kit do s/t da dupla do qual terei o maior prazer de falar sobre.

O álbum possui 30 minutos divididos em 6 faixas inspiradas na etnicidade e mitologia asteca produzidas pelo duo de bass/drums Thomas B. e Timotheé Gacon, respectivamente guitarrista e baterista da BHS. Provavelmente se os astecas tivessem trilha sonora ela estaria associada a esses caras, tamanha a capacidade deles captarem e incorporarem em suas composições a atmosfera pré-colombiana e a transformarem em algo sombrio, etéreo, atmosférico e ainda assim pesado.

O disco permeia o psychedelic/doom temático, proposta totalmente nova adotada por Bellier e Gacon que resulta em um som de ótima qualidade, tanto em arranjos, riffs contagiosos e letras, no entanto, sem abandonar aquela vibe tradicional e marcante do Blaak Heat Shujaa de desert rock etéreo, transmitido especialmente pelo timbre dos instrumentos e  pelo vocal de Bellier. O projeto que possui Thomas desta vez no baixo, conta inclusive com sitars na faixa “The Wrath of Tepeyollotl”, papel do convidado Michel Kristof. Mas o que estaria uma sitar fazendo num álbum temático sobre a mitologia asteca já que o instrumento não tem nada a ver com a cultura mesoamericana associada ao álbum? Bom, o fato é que os arranjos produzidos por ela combinam de forma muito acentuada com as linhas de baixo e  percussão, produzindo uma sonoridade muito agradável que apesar de aparentar ser uma pequena quebra de conceito, deixa o EP ainda mais rico e interessante.

Em suma, o álbum é uma ótima pedida para quem está por dentro do cenário desert/psychedelic devido ao seu caráter hipnotizante e também a sua qualidade em todos os aspectos, tanto musicais quanto étnicos. Sem dúvida, apesar de ser um projeto de apenas dois caras, eles não medem esforços para nos proporcionarem músicas de qualidade. Um verdadeiro ritual de meditação que vale muito a pena ser ouvido. Give it a listen!

Da esquerda para a direita: Thomas Bellier e Timotheé Gacon

**Gostaria de agradecer novamente ao Thomas Bellier,  guitarrista da Blaak Heat Shujaa, por ter entrado em contato comigo e me enviando o material, ressaltando assim a importância da participação de todos vocês parar tornarmos o blog melhor a cada dia.

(vou ficar devendo vídeo pois como o álbum ainda é muito novo ele ainda não foi compartilhado amplamente, porém, vocês podem escutar o som dos caras no bandcamp deles.)


The Hanna Barbarians – Syzygy

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Antes de qualquer coisa eu gostaria de me desculpar por ter deixado o sábado do blog passar em branco. Como vocês (provavelmente não) devem saber, meus amigos bloggers aqui do LSD me deixaram sozinho com o blog e foram para São Paulo assistir um show do Kyuss e ir no SWU. Eu, morrendo de inveja por minha vez, estive em um compromisso de família e fiquei away da internet desde as 7 da manhã até as 2 da madrugada. Portanto, peço as devidas desculpas aos nossos seguidores e frequentadores pela falta de material exposto aqui. Mas tudo bem, vamos ao que interessa!

The Hanna Barbarians é um sexteto de Psychedelic/Blues formado por Blake Parish (vocals/harmonica), Alex Zobel (guitars/vocals), Raef Payne (guitars/vocals), Tyler Fleming (drums/percussion), Chris Evans (bass) e Kris Luther (guitar/percussion/mandolin) originária de Fort Worth, Texas. Às vezes não somente com um visual mas também com uma sonoridade muito qualitativa as bandas dos anos 70, o THB viaja na linha do tempo através de influências do cenário atual e passado da música nos presenteando com canções completas e muito bem formuladas. Provenientes de uma região onde a música country é muito popular, o grupo parece atropelar a cultura local compondo melodias de seus próprios interesses, voltados para um rock bem original e raw na pegada.

Formado em 2009, o grupo era primeiramente apenas um conjunto de músicos que se encontravam para compor material ao acaso, adquirindo mais tarde o vocalista Blake Parish que proporcionou a banda uma elevação de nível para que pudessem finalmente progredir no cenário musical. Depois de várias tentativas com outros músicos a banda achou sua formação mais confortável e começaram a gravar material. Disso surgiu o debut álbum da banda, um LP denominado Syzygy,  que lhes rendeu a oportunidade de serem  contemplados pelo jornal FW Weekly como melhor álbum e melhor performance ao vivo do ano.

O álbum que foi lançado esse ano é coerente com o que a banda define como rótulo: psychedelic blues de primeira. O LP possui também suas partes mais melódicas como em Trudy ou até mesmo em Heatstroke que tem uma pegada mais alternativa, porém é no psych blues que o grupo está fincado. Através de um timbre limpo na guitarra com os devidos efeitos, principalmente wah-wah, o grupo, junto a todos os outros instrumentos igualmente well played, no leva por entre sua ótima produção, vocais incríveis e letras muito bem escritas em um passeio obscuro, criativo e hipnótico gerado pelo Heavy Psych. Uma banda que se destaca no atual ambiente musical e que merece a devida atenção pelo seu ótimo trabalho. Give it a listen!

(Hair of the Dog)

(All We Export)


Mars Red Sky – Mars Red Sky

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Um dos meus primeiros posts dedicados a um stoner com uma sonoridade mais, vamos dizer, “raiz”.

Em uma noite quando Julien Pras se encontrou com Jimmy Kinast em um clube, viram Benoit Busser tocando bateria e imaginaram a banda que poderiam formar a partir daí para “alcançar suas fantasias musicais”, segundo eles. Impressionados com a qualidade e técnica de Busser, resolveram entrar em contato. Na época, Julien estava promovendo o quinto álbum da sua, até então, banda e queria muito uma sonoridade psicodélica com muito reverb, desejo almejado também pelo baixista Jimmy, que já havia tocado em diversas bandas sem sucesso. Depois de alguns ensaios, os três obsedados pelo rock dos anos 70 formam a banda francesa de stoner/psychedelic Mars Red Sky, com Julien Pras nas guitarras e vocais, Jimmy Kinast no baixo e Benoit Busser controlando as batidas da bateria.

No dia 11 de Abril desse ano lançaram seu debut álbum auto-intitulado que está chamando atenção pela qualidade musical. O grupo mistura riffs setentistas com um tom pesado para criar um arranjo metódico e repetitivo junto a vocais hipnotizantes que completam a atmosfera psicodélica. Muita melodia e groove de qualidade é o que esse álbum de 7 faixas nos oferece em seus quase 40 minutos de duração; Julien consegue incorporar em sua voz um tom agradável que permeia a hipnose e, junto a bateria, o baixo tem um papel importante que funciona não somente como um acompanhamento, mas como uma extensão dos riffs  que Julien executa na guitarra. Uma banda que vale a pena conhecer, já que pouca gente está a par de seu trabalho e que promete muita coisa boa daqui pra frente, ao menos é o que se pode esperar depois de ouvir esse ótimo disco. Give it a listen!

(Strong Reflection)

(Marble Sky)

Julien Pras e ao fundo Jimmy Kinast e Benoit Brusser.



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