A música que vai muito além da mainstream

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Kurt Vile – Smoke Ring For My Halo

Por: Igor

@igorbdm_

 

Kurt Vile é um guitarrista nascido em 1980 na Filadélfia, que iníciou sua carreira musical por volta de 2003, na banda The War on Drugs, onde naquela época, já demonstrava sua paixão pelo folk americano, especialmente por Bob Dylan. Apenas em 2008, a banda lançou seu debut álbum, e mais pro final do ano, Kurt decidiu sair da banda, e iniciar sua carreira solo. A banda tinha uma sonoridade peculiar, misturando o folk com elementos de shoegaze, o que acabou por influenciar Kurt em sua carreira solo. Em 2008, Vile começou sua carreira solo com o álbum Constant Hitmaker, em 2009 lançou mais um álbum: God Is Saying This To You, e logo após, fechou contrato com a “Matador Records”, e usando este selo, acabou por lançar seu terceiro álbum ainda em 2009, Childish Prodigy.

No ano de 2011, Vile lançou o que provou ser – até agora – o seu melhor álbum: Smoke Ring For My Halo, álbum que foi muito bem recebido pela crítica, e não só pelos críticos amadores como nós, mas grandes nomes já elogiaram este seu último álbum. Robin Pecknold, do Fleet Foxes elogiou muito o álbum, e Kim Gordon, a baixista (e as vezes guitarrista) do lendário Sonic Youth, diz se sentir culpada por ouvir frenéticamente o novo álbum de Kurt.

Smoke Ring For My Halo é uma viagem por dentro dos pensamentos de Kurt. As letras abordam temas sombrios como a tristeza, a insegurança, a incerteza e o saudosismo. As letras melancólicas e melódicas aliadas a sua voz e forma de cantar, renderam comparações com o poeta das esquinas de Nova York, Lou Reed. O álbum conta com uma sonoridade folk caracterista americana, com as devidas influências de Bob Dylan, e uma pitada de psicodelia, e apesar da grande melhora de qualidade das gravações desde o início de sua carreira, alguns ruídos foram mantidos no álbum, fazendo com que Vile não se livrasse do rótulo lo-fi.

Arranjos musicais simples porém bem trabalhados, mas que não deixam espaços vazios, sendo sempre preenchidos com guitarras reverberadas, tamborins, camadas de teclado usando diferentes timbres, e combinando muito bem o som do violão com o da guitarra elétrica, gerando uma atmosfera hipnótica e psicodélica, e é claro, uma identidade própria para o som de Vile. Para os amantes do bom e velho psychedelic-folk, Smoke Ring For My Halo é um prato cheio, recomendado por muitos músicos de nome no cenário indie, e por mim, que posso dizer que foi o melhor álbum do ano (pelo menos até agora).

Smoke Ring For My Halo

Society Is My Friend

Necronomicon – The Queen Of Death

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Mais uma vez o nordeste toma a frente das demais regiões em se tratando de música boa. Além de ser o nome da banda, Necronomicon é um dos mais afamados livros fictícios criados por Lovecraft, célebre pela literatura de ficção e também como pai do Cthulhu, criatura fictícia horrenda citada como um dos precípuos ‘monstros’ da história. O grupo possui uma sonoridade que poderia ser descrita como, bem, eu diria que algo em torno do Progressive Doom com pitadas da psicodelia de Pink Floyd, se fosse para rotular. Formada por Pedro Ivo Araújo (vocals/bass/synth), Lillian Lessa (guitars) e Thiago Alef (drums), a banda usufrui de seus instrumentos para adentrar numa atmosfera musical onde a mistura de várias influências e principalmente a criatividade são as principais formas de expor o cerne dos músicos. Uma sonoridade bem inusitada e que vem dando certo.

A banda foi formada em 2009 na cidade de Maceió, Alagoas, por Pedro Ivo Araújo, Lilian Lessa e Alexander Moreira.  Lançaram somente um álbum pelo selo americano Hydro-Phonic Recods e em 2011 o baterista Alexander Moreira deixou o grupo, sendo substituído por Thiago Alef. Atualmente já terminaram a gravação de seu segundo álbum, intitulado The Queen Of Death que tem lançamento previsto para 2012 em CD e Vinil, também pelo selo Hydro-Phonic.

O LP possui quase 40 minutos de duração que estão distribuídos em 6 faixas, as quais aduzem sons relacionados ao rock progressivo, doom e psychedelic. Essa mistura faz com que as músicas sejam abordadas com uma feição um pouco diferente, tornando o álbum algo muito interessante e prazeroso de ouvir. Apesar da banda ser apenas um trio, o arranjo das músicas é bem evoluído, o que  faz com que o timbre de cada instrumento possa ser aproveitado ao máximo por meio de suas composições. O vocal (em inglês) de Pedro beira o ideal para o gênero e completa a elaboração das canções. O cara consegue realizar a função de tocar o baixo e cantar ao mesmo tempo com muita destreza, de maneira com que as duas se tornem destaques. A guitarra é outro ponto interessante do álbum, a distorção pesada dá muitas vezes o lugar aos acordes cheios de efeitos que passam uma certa leveza e quê de psicodelia, contrastando com o peso da bateria.

Obviamente a qualidade de gravação não é super profissional, no entanto, o som dos caras é muito bom e mostra que cada vez mais o nordeste vem se mostrando como recanto para esse tipo de música. Muita gente precisa deixar o preconceito de lado e apoiar esse tipo iniciativa por parte dos músicos em perpetuar a música de qualidade. Give it a listen!

(Hypnotic Overdrive Machine)

*Obrigado ao Pedro por entrar em contato comigo e me mostra o som da banda. 

Siena Root – Far From The Sun

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Uma banda com sonoridade clássica, porém original. Siena Root é um grupo de Heavy Blues/Progressive Rock/Stoner/Psychedelic de Stockholm, Suíça, formado por KG West (guitars/organ/synth), Sam Riffer (bass/vocals) e Love “Billy” Forsberg (drums/percussion). A banda teve seu início no fim da década de noventa e já lançaram cinco álbuns até agora, sendo quatro de estúdio e o mais recente composto de vários jams ao vivo. A banda tem a característica de trocar de vocal todo álbum, ou seja, a sonoridade da banda pode sofrer metamorfose junto ao vocal totalmente diferente a cada formação, porém, sem abandonar as raízes da banda que estão fincadas nos gêneros que mencionei antes.

O terceiro álbum de estúdio do trio conta com o exímio vocalista Sartez Faraj (também vocalista da Three Seasons) que proporciona através de seu timbre característico e extremamente trabalhado o melhor da atmosfera e sonoridade do Rock setentista. Far From The Sun, lançado em 2008, é um álbum que mistura o Blues com o Rock Progressivo e Psicodélico de uma maneira muito homogênea, resultado de uma capacidade instrumental do grupo muito elevada. Os vocais de Sartez certamente estão em ‘território’ apropriado, acompanhados de riffs marcantes e de arpejos belíssimos. A estrutura conceitual do álbum é muito simples,  três caras tocando seus devidos instrumentos com maestria e conduzidos por um vocal progressivo que alcança as notas mais altas imagináveis. O diferencial está justamente na feição com que fazem isso e na capacidade de transmitirem e reacenderem o rock setentista da maneira mais original possível. O arranjo do álbum conta com uma certa complexidade, vários instrumentos são responsáveis por construírem e fundamentarem os pilares sonoros do grupo, desde citars até flautas e gaitas. Além de tudo isso, eu estaria sendo injusto se não destacasse o trabalho dos principais instrumentos em individual. O baixo é aquele característico do rock progressivo, não deixa os demais instrumentos se sobressaírem, criando através de seu groove e linhas impecáveis a sustentação necessário do álbum, onde a guitarra pode exercer o melhor de seu timbre através de riffs e solos com muito feeling. Não obstante, a bateria também realiza um trabalho notório, viradas e contra-tempos excepcionais são responsáveis pelo toque final nessa obra-prima musical.

Essa mistura de Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin condensada em um grupo certamente conta com músicas e álbuns de respeito, transcendendo as barreiras do usual e trazendo um pouco da década de 70 de volta para os nossos ouvidos.  Sonoridade massiva que pode ser facilmente confundida com alguma banda da época. Give it a listen!

(Waiting For The Sun)

Black Mountain – Wilderness Heart

Por: Vitor

@Visforviking

 

 

Wilderness Heart é o terceiro álbum da banda canadense Black Mountain, lançado em 14 de setembro de 2010.

Apesar da banda ser rotulada como Indie Rock (“gênero” que, comparado a outros, é recém-chegado no cenário musical), Psychedelic Rock e afins, por vezes é comum perguntar-se se não estamos ouvindo a algum grupo de hard rock ou heavy metal dos anos 70 ou aos stoner rockers californianos dos 90′s. O que responde a pergunta é o trabalho vocal do frontman Stephen McBean e da vocalista Amber Webber e justamente a mistura de tantos estilos musicais em um só álbum.

(Da esquerda para a direita) Stephen McBean, Jeremy Schmidt, Amber Webber, Joshua Wells, e Matt Camirand

“Wilderness Heart”, considerado a obra mais “acessível” da Banda até agora – comparado até ao Houses of the Holy dos ingleses Led Zeppelin por sua natureza mais solta e relaxada do que os álbuns anteriores – começa com a energética e divertida “The Hair Song”, onde ouvimos um dueto de McBean com Webber acompanhados pela melodia de guitarra e o exelente trabalho do tecladista Jeremy Schmidt, que lembra o Zeppelin ou Deep Purple. Outros momentos marcantes do álbum são as músicas “Radiant Hearts”, balada cantada em uníssono por McBean e Webber, sempre acompanhada por um violão e novamente o teclado de Schmidt; “Roller Coaster”, na qual Amber rouba a cena de Stephen; “Let Spirits Ride”, ao começar, faz o ouvinte esperar por, talvez, a voz de Ronnie James Dio nos seus tempos de Black Sabbath, sendo a música mais rápida e mais “heavy metal” do álbum, lembrando “Neon Knights”; “The Way to Gone” tem uma pegada psicodélica ou southern rock, com trabalho instrumental mais leve na maior parte da música e uma guitarra bem “groovy”. Wilderness Heart pode não ser o álbum mais experimental, psicodélico ou pesado do Black Mountain, mas com certeza soa muito bem aos ouvidos, dêem uma ouvida e também ouçam o resto do material da banda!

Integrantes:

Stephen McBean – Vocal e guitarra

Jeremy Schmidt – Teclado

Amber Webber – Vocal

Joshua Wells – Bateria

Matt Camirand – Baixo

The Hair Song

Old Fangs

Trivia:

Black Mountain é a front-line band do coletivo de músicos, artistas e amigos de Vancouver conhecido como Black Mountain Army, que reúne, (não somente) outras bandas dos integrantes de Black Mountain, como Pink Mountaintops (que eu futuramente trarei uma resenha aqui), projeto mais experimental do frontman Stephen McBean (com participações de praticamente toda a Black Mountain), Lightning Dust, constituída por Amber e Joshua, e Blood Meridian, na qual Matt canta e compõe e Joshua toca bateria.

*Quem é mais próximo meu e do pessoal do blog talvez tenha um déjà vu lendo essa resenha, pois ela foi feita por mim para o finado Music For The Deaf, um blog que eu, Igor, Crystopher e mais dois amigos começamos, mas não deu certo. Pode parecer preguiça, sim, mas não podia deixar de compartilhar com vocês esse álbum, que é o meu favorito deles, e por que escrever novamente sobre algo que já defini bem nesse texto?

A Fantástica Maddame – Tapa na Boca

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Uma explosão incomensurável de energia alucinógena direta de São Paulo! A junção dos âmagos de Marco Gonzalez (Voz/Gaitas),  Paulo de La Praga  (Guitarras/Backig Vocal), Bruno Gimenez ( Bateria/Backing Vocal) e Rick de La Vegha (Baixo/Backing Vocal) proporcionam o melhor do Rock Progressivo, Psicodélico e do Blues com influências sonoras brasileiríssimas.

A banda independente foi formada em 2002 com o âmbito comum entre os membros de espalhar sua arte musicada e seus pensamentos, fazendo shows em casas noturnas para conquistarem seu espaço no cenário nacional. A diligência dos integrantes para propagar o melhor do rock tramado teve resultado e logo estavam com a agenda cheia. De tudo isso veio a experiência e o entrosamento; fundamentais para o grupo pautar suas apresentações em algo performático e impactante, abusando de cores e boas vibrações. Muita harmonia misturada com guitarras distorcidas, clássicas do bom e velho rock n’ roll, juntas ao prestígio do melhor da cultura brasileira permitiram ao grupo que em 2005 fosse gravado seu primeiro LP “Tapa na boca”.

Nove faixas carregam junto consigo a responsabilidade de reacender o cenário progressivo brasileiro, tarefa nada fácil em meio a uma nação muitas vezes néscia. No entanto, o álbum é um prato cheio para os já amantes do gênero, normalmente acostumados a terem que recorrer a bandas gringas para uma satisfação sonora. O arranjo, fruto de uma verdadeira maestria musical, é fundamentado basicamente em distorções nervosas, linhas de baixo incandescentes, uma gaita ensandecida, contra-tempos alucinantes e muitos, mas muitos solos de “cair o queixo” que dividem o espaço e a atenção  com os vocais insólitos de Gonzalez que transpiram ardor nas letras galhofeiras e carregadas de perceptibilidade. O disco é uma verdadeira viagem, “Humildade à parte, mas eu quero o meu inteiro e não pela metade” é  um belo chute  inicial com uma vibe e uma levada bem sessentista, introduzindo o álbum que ainda conta com um pouco mais de meia hora partilhada entre um Blues bem raiz como em “Careta Blues” e “Pagando pra ver” ou um pouco de super progressividade como em “Ninho da mente” ou “Máquina à vapor“. Há até mesmo uma espécie de “forró progressivo” como em “Conselheiro do Sertão“. Em suma, o álbum é um carnaval de influências timbres e sons que abrangem não só Brasil, mas o mundo todo.

O quarteto, que já conseguiu algumas boas posições em festivais de música, é mais um suspiro que o Brasil dá para manter o que resta dos pilares da boa música progressiva nacional, junto a bandas como Anjo Gabriel, Bodoque, entre outras em meio a um universo musical alienado que vivenciamos atualmente. Comprem, apoiem, divulguem as boas bandas porque sem a nossa ajuda toda a atmosfera lisérgica da música nacional vai se exaurir. Give it a listen!

*A banda carece de vídeos de boa qualidade no YouTube, no entanto, vocês podem ouvir todas as músicas aqui.

Yama – Yama Demo

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

A resenha de hoje será sobre uma banda muito nova no cenário Stoner/Psych mas que trouxe uma demo respect. Yama é um grupo holandês de Utrecht formado por Alex Schenkels (Vox/ bluesharp), Elmer van Engelenburg (Drums), Sjoerd Albers (Guitars) e Peter Taverne (Bass). Os caras tocam desde 2008 e em 2009 chegaram a fazer algumas pequenas apresentações, mas somente depois de trocarem algumas vezes de formação e mudarem o nome da banda para Yama é que  começaram a compor novos materiais e usar/readaptar composições da antiga formação.

A banda lançou esse ano uma demo com duração aproximada de dezoito minutos que permeia vários gêneros, que vão desde os mais notórios como Stoner à la 60′s/70′s//Pyschedelic/Doom até o Blues. As 3 músicas da demo abrangem uma sonoridade com um horizonte muito amplo pautado, segundo a banda, em grooves pesados e riffs marcantes. As mudanças súbitas de compasso no meio das músicas são outro ponto forte, onde as composições chegam a clímaces elevadíssimos, como a primeira música que começa com uma pegada bem Dark, estilo Johny Cash e depois se revela num verdadeiro doom. Não esperem uma super produção por trás do álbum com mixagens profissionais e afins, é apenas uma demo de um grupo que está somente começando, mas que não poupa esforços para produzir um som de qualidade.

As influências dos caras são muito perceptíveis; Alex tocava em uma banda de Thrash Metal, Elmer era baterista de uma banda de Post-Punk e Garage-Rock, Sjoerd sempre foi guitarrista de Jazz e o Baixista Peter tocava em uma banda de Metal. A mistura de tudo isso leva ao som peculiar desse quarteto que está eclodindo da Holanda, país que nos últimos tempos vem trazendo grandes nomes para a música como Sungrazer, trio de Stoner/Pysch que lançou recentemente um álbum muito bem recebido pela crítica e blogs especializados. Não distante  disso, Yama também vem sendo muito bem recebido pela crítica e tenho certeza que seja lá quando lançarem um LP, vou ser um dos primeiros a ouvir. Give it a listen!

 

(Hollow)

Brant Bjork – Gods & Godesses

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Onze anos se passaram desde que o Sr. Brant Bjork lançou o Jalamanta, uma masterpiece  do desert-rock e um álbum obrigatório na biblioteca de qualquer amante do gênero. Nesse intervalo de um pouco mais de uma década, Brant lançou sete álbuns muito bons, mas que não foram escolhidos para a minha resenha de hoje. No ano passado o baterista da banda ícone do cenário stoner lançou o seu nono álbum em carreira solo intitulado Gods & Godesses. Sem querer menosprezar os álbuns que seguiram Jalamanta, Gods & Godesses reacendeu para mim o verdadeiro potencial de Brant. Estaria essa aparente melhora musical relacionada a sua volta com alguns de seus companheiros do Kyuss para turnês sob o nome de Kyuss Lives! ? Infelizmente essa pergunta só pode ser respondida pelo próprio Brant, mas para mim a sua volta aos palcos sob o nome da banda que praticamente fez o seu nome e o lançou no mundo da música teve sim algum tipo de influência em seus últimos trabalhos de sua carreira solo. Afinal, como o Igor já disse em sua resenha sobre o show do Kyuss Lives!, Brant tinha uma aparente vontade de tocar muito grande, mostrando animação e satisfação com sua carreira.

Gods and Godesses tem tudo que qualquer fã de Brant queria ouvir, com algum pegada de Blues o álbum começa com a faixa Dirty Birds, uma das minhas favoritas, que introduz o que está por vir pelos aproximadamente trinta minutos restantes, solos desnorteantes de guitarra acompanhados do mais belo Wah-Wah, linhas de baixo incríveis e, é claro, uma bateria que só o Sr. Bjork consegue nos proporcionar. Muito groove que parece fluir magistralmente das mãos de Brant e seu vocal inconfundível, adicionado na parte estrutural do álbum uma qualidade incomensurável em seus arranjos. Radio Mecca, a terceira música do LP, possui uma levada meio funky onde Brant parece demonstrar sua melhor encarnação de Jimi Hendrix, jogando na cara de todo mundo o exímio multi-instrumentista que é. O álbum segue com sua insanidade musical até Porto, penúltima música, que aparentemente é uma homenagem ou ao Brasil ou a Portugal, não sei dizer. De qualquer jeito, valeu a tentativa, Brant. Ainda o veneramos!

O álbum acabou de sair, no entanto, suas músicas já parecem clássicos da cena desert-rock, tamanha sua virtude musical. Brant Bjork consegue sempre buscar o tradicional, adicionar a sua pegada e transformar a sonoridade em algo ímpar,  o que é completamente esperado de um músico do seu nível, porém, apesar dos anos estarem passando, a única coisa que muda é a idade, pois o talento do cara continua incontestável e sempre nos surpreendendo.  Gods & Godesses pode ser o início de um novo período virtuoso na carreira de Brant ou até mesmo um gás para a reafirmação do cenário musical que compôs sua vida. Give it a listen!

*Perdoem qualquer erro, tive que fazer essa resenha correndo para ir fazer o vestibular.

(Radio Mecca)

Ufesas – Ufesas

Por: Crystopher

@Kifaaaa

 

Ao contrário do conceito e principalmente do preconceito tido por muitos em relação as bandas que não são da linha América do Norte-Europa serem ruins ou serem desprovidas de alguma coisa devido a localização geográfica, apresento-lhes uma banda de Stoner/Psychedelic chamada Ufesas. Oriunda de Canelones, Uruguai, a banda formada por Diego Mercadal (drums/percussion), Federico Bolagno (vocals/guitars), Joey Mercadal (guitar/vocals), Leandro Machín Rebellato (bass/vocals) começou com apenas um grupo de amigos numa garagem se divertindo através de jams. Atualmente a banda está muito distante disso, pelo menos em se tratando da sonoridade, pois os caras providenciam um stoner  de muita qualidade em todos os termos, tanto musicais quanto conceituais.

Lançaram esse ano um LP auto-intitulado que seguiu o lançamento de seu EP de apenas duas músicas lançado em 2009.  Muito groove e arranjos descontraídos, porém, de qualidade altíssima, onde o baixo constrói linhas brilhantes acompanhado da bateria enquanto os solos e os riffs criam uma atmosfera caótica, parecem ser o ponto forte do disco. O quarteto aparentemente  passeia por entre a linha cronológica da música, apresentando como influência desde a selvageria do The Stooges e os solos lisérgicos de Jimi Hendrix, até um pouco da atmosfera ‘Space-Rockiana‘ dos britânicos da Hawkwind. O vocal de Joey se adapta conforme o clima da música sendo agressivo, mas também calmo e sutil quando necessário.

O Stoner-Rock está frequentemente associado e relacionado ao Blues e mesmo em se tratando de uma banda Latina o costume não é quebrado aqui. Não entendam isso como uma falta de personalidade do quarteto, o grupo tem um quê muito forte e muito amplo para ser explorado e, quanto maiores e diversas as influências, mais completas e possivelmente complexas se tornam as suas composições. O arranjo é pautado na repetição de riffs, o que na música é denominado de Drone. Esse estilo musical, provavelmente difundido na música popular pela banda de psychedelic rock The Velvet Underground, possibilita uma hipnotização sonora  quando junto aos timbres e ouvintes certos.

O grupo uruguaio apresenta nesse LP , que segundo eles foi gravado em uma tarde de inverno de Agosto, quase 30 minutos do melhor do stoner groove e do feeling psicodélico que certamente irão servir de base para futuros lançamentos muito mais trabalhados e amadurecidos dessa banda promissora que completa nosso pequenos tour de Quinta, Sexta e Sábado pela América do Sul,  aqui no LSD, com as bandas Cultura Tres, Dorgas e Ufesas. Não é necessário ir tão longe para se ter música de qualidade. Give it a listen!

(Dead Town Blues)

*O álbum pode ser baixado de graça no Bandcamp da banda clicando aqui.

Dorgas – Verdeja Music

Por: Igor

@igorbdm_

Fugindo de qualquer padrão da música brasileira, e adentrando em territórios musicais pouquíssimos explorados em nosso país, os cariocas da banda Dorgas conseguiram criar uma sonoridade muito fora do usual (pelo menos nas métricas musicais brasileiras), que remete muito ao  shoegaze, estilo musical de bandas como My Bloody Valentine, Deerhunter e  LSD and the Search for God.

A banda foi formada em 2009 por Cassius Augusto (voz, baixo, teclados), Gabriel Guerra (voz, guitarra, teclados), Eduardo Verdeja (guitarra) e Lucas Freire (bateria), que em 2010 lançaram seu primeiro EP: Verdeja Music, e pouco tempo depois, mais especificamente este ano (2011) , lançaram dois singles: Loxhanxha e Grangongon.

Como já foi Dito Antes, a banda conta com uma sonoridade muito peculiar, que ouvidos de meros mortais como nós classificariam-na  como Shoegaze, porém, não acho certo prender o som dos caras a um simples rótulo. Digo isso pois seu primeiro EP, Verdeja Music, de fato cria uma ambientação típica de bandas shoegaze e post-rock, recheada de sons etéreos e ambientalizações, mas sem se prender aos padrões do estilo, eles acabaram por criar uma sonoridade própria e muito original, gerando uma atmosfera única em seu som.

Pouco tempo após o lançamento do EP Verdeja Music, eles lançaram um Single: Loxhanxha. Este já nos aprensentou uma evolução no som dos caras, aliando elementos de jazz e da música brasileira com a proposta sonora anteriormente comentada, criando um som ainda mais único, e tirando qualquer dúvida de que poderia ter vindo a surgir quanto a habilidade dos membros da banda, que provaram saber dominar com maestria os seus respectivos instrumentos.

Dorgas é uma banda nacional com um futuro muito promissor, que merece destaque e um lugar especial na playlist dos amantes do shoegaze e da música experimental. E enquanto a banda se prepara para lançar seu Debut Álbum em 2012, temos seus Singles e EP’s para ouvir. Apreciem sem moderação!

Use esses links para acessar o bandcamp da banda Dorgas, onde vocês podem ouvir suas músicas, comprar o álbum pelo preço que vocês acharem digno pagar (inclusive de graça), obter mais informações e contato com a banda.

Verdeja Music (EP)

Loxhanxha (Single)

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